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“'Ouro líquido': azeite alentejano eleito o melhor do mundo em 2025”

Mão masculina a verter azeite numa tigela azul, com pão e alecrim ao lado. Frascos de azeite posicionados ao fundo.

Por detrás desse impulso está um extra virgem de edição limitada da Oliveira da Serra, extraído no Lagar do Marmelo, em Ferreira do Alentejo. Os júris dos Prémios Mario Solinas do Conselho Oleícola Internacional colocaram-no em primeiro lugar na categoria “frutado verde ligeiro” de 2025, à frente de concorrentes de Itália, Grécia, Tunísia, Turquia, China e França.

O que premeia o Prémio Mario Solinas

O Prémio de Qualidade Mario Solinas acompanha referências globais para o azeite virgem extra, recorrendo a painéis treinados para avaliar o equilíbrio sensorial e o rigor técnico. As amostras competem por estilo, incluindo o segmento “frutado verde ligeiro”, que privilegia frescura, finesse e nitidez aromática. O júri avalia azeites que apresentem frutado limpo, amargor fino, um picante medido e ausência de defeitos sensoriais.

O azeite virgem extra do Alentejo da Oliveira da Serra conquistou o primeiro lugar em “frutado verde ligeiro” nos Prémios Mario Solinas 2025, a competição de referência do Conselho Oleícola Internacional.

Como os juízes avaliam um azeite vencedor

  • Harmonia: o aroma, o amargor e o picante formam um perfil coerente, sem que uma nota se sobreponha às restantes?
  • Complexidade: quantos descritores positivos surgem e como evoluem no palato?
  • Identidade: o azeite revela uma impressão digital varietal ou regional clara?
  • Pureza: zero defeitos sensoriais e uma linha aromática precisa e fresca.
  • Persistência: duração do sabor e um final consistente com calor controlado.

A edição de 2025 reuniu cerca de 130 amostras. O vencedor do Alentejo destacou-se por um perfil verde preciso: película de amêndoa, folha de oliveira e rama de tomateiro, com uma mordida delicada. Esse alinhamento resulta de calendários de apanha disciplinados, extração rápida a frio e controlo rigoroso de temperatura na linha do lagar, segundo a área agrícola do produtor, a Nutrifarms.

Porque o Alentejo continua a subir

O Alentejo já é a âncora da economia do azeite em Portugal. A região conta com cerca de 140.000 hectares de olivais e hoje entrega mais de 70% da produção nacional. Dias quentes, noites frescas e baixa humidade favorecem colheitas precoces e saudáveis e azeites estáveis. Uma nova geração de lagares - entre eles o Lagar do Marmelo - reduziu os tempos de oxidação e normalizou a qualidade à escala.

O Alentejo fornece mais de 70% do azeite de Portugal e soma agora uma vitória sensorial de destaque à sua força produtiva.

O reconhecimento do Conselho Oleícola Internacional é relevante para compradores. Importadores e retalhistas encaram frequentemente as medalhas Mario Solinas como um sinal de qualidade e uma leitura rápida das tendências de estilo. Para os produtores, um lugar no pódio apoia o posicionamento premium, reforça narrativas regionais e ajuda a estabilizar preços nos mercados de exportação.

Dentro da garrafa: variedades e método

O perfil vencedor assenta nas castas de trabalho do Alentejo, frequentemente Galega, Cordovil e Verdeal. Estas variedades tendem para notas verdes e de fruto seco quando apanhadas cedo. A extração rápida a frio preserva os aromas voláteis; limites rigorosos de temperatura protegem os polifenóis que dão amargor e aquela elevação picante. O resultado sabe a nítido em vez de pesado, com um nariz limpo e “de horta” e um picante suave no final.

O que “frutado verde ligeiro” significa na prática

Categoria Notas típicas Melhores utilizações
Frutado verde ligeiro Amêndoa verde, folha de tomateiro, ervas recém-cortadas; amargor e picante suaves Finalizar saladas, pão morno, peixe branco, legumes de primavera
Frutado verde médio Relva mais profunda, alcachofra, rúcula; amargor e ardor mais firmes Aves grelhadas, sopas, leguminosas, saladas mais robustas
Frutado verde intenso Coração de alcachofra, banana verde, chicória; final assertivo e estruturado Carnes vermelhas após grelha, verduras amargas, queijos fortes

Um azeite “frutado verde ligeiro” brilha em aplicações simples. Um fio sobre pão apenas morno evidencia as notas de amêndoa e folha. Uma colher sobre uma salada de tomate em cubos é luminosa, não pesada. Curgete assada, bacalhau ao vapor ou uma sopa de grão ganham elevação sem mascarar os sabores de base.

Uma edição limitada que se encontra mesmo

A Oliveira da Serra engarrafou uma edição limitada numerada para os supermercados portugueses. O formato aposta na acessibilidade, mantendo uma postura premium. Os rótulos destacam o prémio, a colheita e o lagar, ajudando o consumidor a tomar decisões rápidas e informadas na prateleira.

Garrafas numeradas colocam um azeite de nível de competição no retalho do dia a dia, sinalizando confiança na consistência para além de um único painel de prova.

Dicas de prova e conservação

  • Servir ligeiramente morno: aqueça um pequeno copo nas mãos para libertar aromas verdes.
  • Usar uma base neutra: prove um pequeno gole simples e depois com pão simples para perceber a estrutura.
  • Reparar na sequência: aroma primeiro, depois amargor na língua e, por fim, picante na garganta.
  • Fechar e proteger: mantenha a garrafa fechada, longe de calor, luz e oxigénio.
  • Comprar para rodar: garrafas mais pequenas reduzem a oxidação em casa e mantêm os sabores frescos.

O que o rótulo lhe pode dizer

O estatuto de virgem extra indica conformidade com padrões químicos e sensoriais exigentes, incluindo um perfil limpo e sem defeitos. Procure uma data de colheita recente, um lagar identificado e, quando possível, as castas indicadas. Estas pistas costumam apontar para origem cuidada e um percurso mais curto do olival à garrafa.

Vantagens práticas na cozinha e ressalvas

  • Poder de finalização: uma colher de chá em legumes grelhados acrescenta “lift”, poupando sal e outros temperos.
  • Uso com calor: um virgem extra de qualidade aguenta saltear a temperatura moderada graças aos antioxidantes; evite fumo e calor alto prolongado.
  • Conta do valor: um azeite intenso como finalizador rende em muitos pratos, compensando o preço superior na prateleira.
  • Risco de frescura: depois de aberto, conte usar uma garrafa de 500 ml em seis a oito semanas para pico aromático.

Onde esta vitória encaixa no panorama geral

Portugal tem apostado fortemente na qualidade na última década, juntando lagares modernos a uma logística de campo mais apertada. Prémios como o Mario Solinas refletem essa mudança de volume para valor. A combinação de escala e técnica do Alentejo sustenta agora estilos consistentes, desde azeites mais gentis e guiados pelo verde, como este vencedor, até perfis mais estruturados para pratos substanciais.

Para consumidores fora de Portugal, o prémio funciona como um bom guia. Procure “frutado verde ligeiro” nas notas de prova quando quiser nitidez e frescura. Procure Alentejo no rótulo se aprecia aromas de amêndoa, folha e rama de tomateiro. Se cozinha com frequência peixe, verduras e leguminosas, esse estilo encaixa bem e mantém os sabores vivos, sem os tornar pesados.

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