Saltar para o conteúdo

A mangueira não está no lugar” : gerente de posto explica esquema que afeta condutores no verão

Pessoa a abastecer carro numa estação de serviço, segurando o bico da bomba de gasolina e um recibo na mão.

O átrio da bomba está carregado de calor e do cheiro a combustível. Carros em fila, para-choques colados, miúdos a pedir gelados, rádios a sibilarem canções de verão através de janelas meio abertas. Na bomba 4, um homem de chinelos aperta o gatilho, a ver os euros subirem mais depressa do que os litros. Volta a pendurar a pistola, agarra o talão e arranca com aquela pequena preocupação de férias: “Será que acabei de gastar demasiado?”

Por trás do vidro, o gerente do posto observa o CCTV. Vê a mesma cena todos os dias, mas ultimamente há qualquer coisa que não bate certo. Uma bomba em particular, um tipo de comportamento, um padrão nos números.

“A pistola não ficou bem encaixada”, resmunga para um colega, rebobinando a gravação. E, de repente, o esquema torna-se claro.

Como uma distracção de meio segundo na bomba pode custar dinheiro a sério

O esquema começa com algo quase invisível: uma pistola que parece “normal”, mas não ficou totalmente reiniciada. Encosta, passa o cartão, pega no bico - e já está meio dentro da armadilha. No visor, o valor não começa em zero, ou o clique que normalmente indica que a bomba está pronta mal se ouve. No barulho de uma estação cheia no verão, não repara no aviso.

Está na estrada, tem calor, só quer seguir viagem. Confia na bomba. Confia no ecrã minúsculo. É aí que perde o controlo.

Um gerente de posto no sul de França descreve a mesma história, vezes sem conta. Um primeiro cliente abastece, não volta a encaixar a pistola como deve ser. O burlão atrás dele finge iniciar uma nova transacção, mas vai “à boleia” da anterior. “Já vi isto no CCTV”, diz ele. “A pistola fica só um bocadinho fora. O novo condutor não repara que o contador não foi reiniciado.”

O burlão normalmente fica por perto, a fingir que espera por outra bomba, com os olhos nos números. Quando o condutor honesto paga, aparece a discrepância: litros que não batem certo com a distância que conduziu. Às vezes são 5 euros, outras 15. Num orçamento de férias, isso dói.

O que acontece dentro do sistema é bastante simples. Quando a pistola não fica correctamente encaixada, a bomba “pensa” que a transacção anterior não terminou de verdade. O pagamento seguinte pode então ficar ligado a litros residuais, ou a uma pré-autorização que não foi fechada de forma limpa. O burlão sabe isto e cronometra o truque na perfeição. Pode até mexer suavemente na pistola para parecer reiniciada, mantendo-a, porém, activa no sistema.

A maioria dos condutores nunca verifica os números iniciais minúsculos nem ouve o “clonc” distinto de a pistola ficar bloqueada no suporte. Passam o cartão e apertam. E é exactamente nisso que os burlões apostam.

O ritual simples que o protege sempre que abastece

Há um pequeno gesto que desmonta o esquema em segundos. Quando chega à bomba, antes de tirar o cartão ou tocar em seja o que for, pegue na pistola e encaixe-a deliberadamente de volta no suporte. Empurre até sentir ou ouvir um clique firme. Depois olhe para o visor: o mostrador deve estar em 0,00 tanto no preço como nos litros.

Este pequeno “reset” força a bomba a “acordar” como deve ser. Se algo parecer estranho, se os números já estiverem a mexer, ou se a pistola não clicar, pare ali mesmo e chame o funcionário. É a versão do abastecimento de trancar a porta de casa.

O gerente com quem falámos repete agora o mesmo conselho a todos os condutores de férias que chegam confusos. “Trate cada bomba como se a pessoa anterior tivesse sido descuidada”, diz, sem maldade. Nas câmaras, já viu pessoas a pendurarem a pistola a meio, telemóvel numa mão, miúdos a gritar no banco de trás, cabeça noutro lado. Todos já estivemos aí: aquele momento em que o corpo faz os gestos de rotina enquanto a mente ainda está na auto-estrada.

O esquema alimenta-se desta distracção do dia a dia. E, para ser justo, o layout de alguns postos também não ajuda: marcações gastas, ecrãs riscados, bips baixos que não se ouvem por cima do trânsito. Ninguém desenha uma bomba a pensar num condutor cansado.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, religiosamente. A maioria de nós não confirma o zero, não analisa a posição da pistola, não lê as letras pequenas no ecrã. Estamos em piloto automático. É por isso que o gerente insiste numa lista simples que até imprimiu num papel junto ao balcão:

“Um olhar, um clique, um zero. Se não estiver bem, não abasteça.”

  • Olhar: A pistola está bem encaixada quando chega?
  • Clique: Volte a encaixá-la você mesmo até sentir o bloqueio sólido.
  • Zero: Espreite o visor e confirme que tudo começa em 0,00.

Este ritual de 3 passos não garante perfeição, mas fecha a porta à maioria dos esquemas do tipo “a pistola não ficou bem encaixada”.

Porque este esquema de verão diz mais sobre nós do que sobre a gasolina

Há algo quase simbólico nesta pequena fraude que se aproveita de pistolas meio penduradas e transacções meio fechadas. Em auto-estradas cozidas ao sol de agosto, toda a gente está com pressa. A fila para a casa de banho, a fila na caixa, o GPS a recalcular a hora de chegada ao parque de campismo. Nesse turbilhão, uns euros tornam-se fáceis de roubar, porque ninguém quer parar e discutir um talão de combustível com dez pessoas à espera atrás.

O gerente encolhe os ombros quando lhe perguntam se o esquema vai desaparecer. As pessoas esquecem-se, diz ele. No próximo verão, novos condutores, novas férias, a mesma distracção. O que muda é o punhado de pessoas que começa a dizer aos amigos: “Confirma se a pistola ficou mesmo encaixada. Agora isto é uma coisa.”

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Reiniciar sempre a pistola Encaixe-a firmemente e ouça o clique antes de pagar Quebra a cadeia que permite aos burlões “aproveitarem” transacções anteriores
Verificar o zero no ecrã Preço e litros têm de começar ambos em 0,00, sem excepções Indício visual simples de que o seu abastecimento está correctamente registado
Falar se algo parecer estranho Chame o gerente de imediato se a pistola não clicar ou se os números parecerem estranhos Pode parar um esquema em curso e ajuda a proteger outros condutores

FAQ:

  • Como funciona, na prática, o esquema da “pistola não encaixada”?
    O burlão conta com o facto de a transacção anterior não ter ficado totalmente fechada porque a pistola não foi bem recolocada. Quando inicia a sua, ele explora esse estado “a meio” para que parte do combustível ou dos valores seja, na prática, cobrado duas vezes ou atribuído de forma incorrecta.
  • Posso ser cobrado por combustível que não recebi?
    Sim, esse é o risco central. Pode pagar por litros que foram contabilizados de uma transacção anterior ou de uma bomba que não foi correctamente reiniciada, mesmo que o seu depósito não tenha recebido, de facto, todo esse combustível.
  • O que devo fazer se suspeitar que fui burlado?
    Não arranque. Vá directamente ao gerente do posto com o seu talão, hora de compra e número da bomba. Peça para verificarem o registo da transacção e, se necessário, o CCTV. Se pagou com cartão, o extracto bancário também pode ajudar a fundamentar uma reclamação.
  • Os postos de serviço em auto-estrada estão mais em risco?
    Postos muito movimentados em auto-estradas e rotas de férias estão mais expostos porque são cheios, barulhentos e com condutores apressados. Isso não significa que postos de vilas pequenas sejam “seguros”, mas os burlões preferem locais onde a confusão é normal.
  • Que verificações rápidas devo fazer sempre antes de abastecer?
    Confirme que a pistola está bem encaixada, volte a encaixá-la manualmente, olhe para o visor para ver 0,00 em ambas as linhas e ouça o som (ou veja a luz) de “pronto”. Se algo parecer estranho, chame o staff antes de começar a abastecer.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário