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Adeus às tintas: nova tendência cobre cabelos brancos e rejuvenesce o visual.

Cabeleireira aplica tintura em cabelo comprido de mulher sentada em salão moderno.

Ela está a mostrar ao cabeleireiro a linha prateada e fina na risca, como se fosse um segredo que ainda não está pronta para partilhar com o mundo. No banco ao lado, uma foto no telemóvel: a mesma mulher de férias, com o sol no rosto, o cabelo mais escuro, sem um único grisalho à vista. Suspira quando olha para a imagem. Quer de volta aquela versão - mas está cansada de passar três horas, de poucas em poucas semanas, embrulhada em folhas de alumínio, a cheirar a amoníaco.

À volta dela, clientes mais novas pedem “morena cara” e “só brilho”. Nada de coloração clássica em toda a cabeça; só luminosidade, brilho, dimensão. O/a stylist acena e fala de esbater, matizar, cobertura suave em vez de camuflagem agressiva.

A era do retoque de raiz está a estalar. Algo mais discreto e mais inteligente está a ocupar o lugar.

O cabelo branco já não é o inimigo - a cor chapada é

Entre num salão moderno hoje e vai ouvir a mesma frase repetida vezes sem conta: “Não quero ver os meus brancos, mas também não quero parecer pintada-pintada.” É aí que está a mudança.

As pessoas já não andam à procura de um capacete falso e uniforme de cor. Querem movimento, profundidade, a ilusão de juventude sem fingirem que têm 25. Os brancos não estão a ser apagados; estão a ser entrelaçados no cabelo para parecerem madeixas naturais.

Os/as coloristas chamam-lhe grey blending (esbatimento de brancos), brilho translúcido, cobertura de baixo compromisso. Para o resto de nós, parece simplesmente cabelo que não desistiu de si.

No TikTok e no Instagram, vídeos com as hashtags #greyblending e #glossing somam milhões de visualizações. Neles, vêem-se modelos nos 40, 50, 60 anos a sentarem-se com riscas prateadas evidentes à frente. Duas horas depois, levantam-se com fitas suaves de caramelo, castanho “mushroom” (acinzentado) ou louro escuro a derreterem-se por cada fio.

O branco continua lá, mas já não é a primeira coisa que se nota. O que salta à vista é o brilho, a textura, a forma como a luz reflete na linha do cabelo. Muitos/as coloristas admitem, discretamente: estas clientes saem a parecer cinco, às vezes dez anos mais novas do que com o antigo castanho “tinta de caixa” chapado.

Em termos estatísticos, o momento faz sentido. Estamos a ficar grisalhos mais cedo, a viver mais tempo, a preocupar-nos mais com a saúde do couro cabeludo. As marcas de beleza sabem-no: as pesquisas globais por “coloração sem amoníaco” e “alternativa ao retoque de raiz” explodiram nos últimos três anos. A revolução do cabelo branco não é anti-beleza. É anti-exaustão.

Do ponto de vista técnico, a tendência é brutalmente lógica. As colorações de cobertura total depositam pigmento opaco em cada fio. No cabelo branco, isso pode parecer duro e baço. A linha de crescimento fica marcada, e você fica presa/o a um calendário de marcações.

As técnicas de esbatimento invertem essa regra. Tonalizantes semi-permanentes, colorações de baixa elevação e glosses premium são usados para suavizar o contraste, não para o cancelar. Umas luzes baixas (lowlights) bem colocadas à volta do rosto, uma raiz ligeiramente mais escura esbatida, um glaze translúcido sobre brancos dispersos - e, de repente, o olho deixa de ver uma “zona problemática”.

O cérebro só lê harmonia e reflexão. Essa harmonia é aquilo a que chamamos “parecer mais jovem”, mesmo que não tenhamos as palavras quando nos olhamos ao espelho.

A nova rotina: esbater, envernizar, iluminar - em vez de pintar, pintar, pintar

É assim que esta onda de “adeus às tintas” se vê na prática. Você entra no salão e, em vez de pedir o seu número habitual de coloração permanente, aponta para os brancos e diz: “Conseguimos fazer com que isto pareça intencional?” Essa frase muda tudo.

Um/a colorista experiente provavelmente vai sugerir uma combinação: algumas lowlights ultrafinas próximas do seu tom natural, talvez um tom abaixo, mais um gloss global para neutralizar amarelos ou falta de luminosidade. Os brancos agarram o gloss de forma diferente, por isso captam a luz como madeixas caras.

O processo é mais leve, mais rápido, muito menos agressivo. Sem saturação total do couro cabeludo. Sem ardor. Você sai com a base natural ainda visível, mas melhorada - como se o cabelo tivesse passado por um filtro de foco suave.

Em casa, a “rotina” deixa de ser esconder e passa a ser manutenção. Em vez de entrar em pânico a cada três semanas quando aparece uma linha prateada, estica a visita ao salão para oito ou até doze semanas.

Entre marcações, apoia-se mais em champôs matizadores, máscaras depositantes de cor e sprays de brilho do que em tintas a sério. Uma lavagem com tom violeta uma vez por semana pode manter os brancos frescos e luminosos, evitando aquele amarelecimento que nos faz sentir mais velhos de um dia para o outro.

Sejamos honestos: ninguém faz isto religiosamente todos os dias. A abordagem mais inteligente é construir uma rotina que você de facto mantém - talvez uma máscara matizadora de dois em dois domingos, um protetor térmico sempre que usa o secador, uma massagem rápida ao couro cabeludo quando já está no duche.

“Quando as clientes deixam de lutar contra cada branco e começam a realçar o que já lá está, alguma coisa muda”, diz a colorista londrina Maria Evans. “Endireitam a postura. Falam menos em ‘corrigir’ e mais sobre como querem sentir-se. Parecem mais jovens porque, de repente, voltam a parecer elas próprias - só que com melhor luz.”

A parte emocional é subtil - e é precisamente por isso que importa. Num mau dia, um único fio branco brilhante à frente pode parecer uma manchete a gritar “acabou o tempo”. O grey blending transforma essa manchete numa nota de rodapé.

A um nível puramente prático, esta tendência também significa menos químicos agressivos, menos dinheiro por mês, menos ansiedade por “estar atrasada/o para o retoque da raiz”. Isso liberta espaço mental para, bem… vida a sério.

  • Escolha cor translúcida, demi-permanente, em vez de permanente total, sempre que possível.
  • Peça ao/à seu/sua colorista “esbatimento suave de brancos” ou “lowlights e gloss” em vez de “cobrir tudo”.
  • Proteja o cabelo do calor e do sol se quer aquele brilho espelhado, com ar mais jovem.
  • Aceite um toque de branco nas têmporas - muitas vezes lê-se como personalidade, não como idade.
  • Marque a próxima ida ao salão com base em como se sente, não num calendário rígido de raízes.

Cabelo mais jovem tem mais a ver com luz do que com mentiras

Quando começa a reparar, não consegue parar. Na rua, na corrida da escola, na grelha do Zoom do escritório, quem parece mais “fresco” nem sempre é quem tem zero brancos. São as pessoas cujo cabelo se mexe, reflete, não fica na cabeça como um bloco sólido de cor.

Esse é o segredo discreto desta nova tendência anti-tinta. Não se trata propriamente de banir a cor. Trata-se de a usar de outra forma - quase como skincare. Não uma máscara que põe para ser outra pessoa, mas um filtro que torna mais fácil ver a pessoa real.

E sim, é preciso um pouco de coragem para deixar aparecer os primeiros prateados. Num planeta saturado de ecrãs e obcecado com juventude, escolher não aniquilar cada fio branco pode parecer quase radical. Num plano humano, é só um tipo diferente de cuidado.

A conversa está a passar de “Como é que escondo isto?” para “Como é que quero estar nesta fase da minha vida?” Algumas pessoas continuarão a escolher cobertura total, e isso é válido. Outras vão mergulhar de cabeça no prateado completo e nunca mais olhar para trás.

O novo caminho do meio é onde muitos de nós estamos a aterrar: algum branco, alguma tonalização, muito brilho, menos pressão. Cabelo que diz a verdade com suavidade, com luz favorável. Cabelo que não pede desculpa pelos anos, mas também não acrescenta mais cinco sem necessidade.

Da próxima vez que apanhar aquele brilho branco na luz da casa de banho, talvez note uma pergunta diferente a formar-se. Não “Como é que mato isto?”, mas “Como é que isto pode, afinal, ficar-me bem?” É nessa pequena mudança que vive toda a tendência.

Ponto-chave Detalhe Vantagem para o/a leitor/a
Grey blending em vez de cobertura total Usa lowlights e tonalizantes para suavizar o contraste, não apagar cada branco Parece mais jovem e mais natural, com menos linhas duras de crescimento
Glossing e cor translúcida Glazes demi-permanentes dão brilho e neutralizam tons baços ou amarelados Dá um efeito de “cabelo saudável” que lê como jovem na câmara e na vida real
Rotina de menor manutenção Visitas ao salão a cada 8–12 semanas, apoiadas por cuidados simples em casa Menos stress, menos custo e mais liberdade do ciclo constante de retoque de raiz

FAQ:

  • O grey blending é só para mulheres com muito cabelo branco?
    De todo. O grey blending funciona mesmo quando você está só a começar a notar alguns fios prateados. No início, pode ser tão simples como um gloss e duas ou três lowlights subtis.
  • Posso experimentar grey blending em casa com tinta de caixa?
    Pode experimentar máscaras matizadoras suaves ou glosses semi-permanentes em casa, mas um esbatimento verdadeiro com lowlights é mais seguro num salão. A tinta de caixa costuma ser demasiado opaca e pode estragar o efeito suave.
  • Com que frequência vou precisar de ir ao salão com este método?
    A maioria das pessoas estica as visitas para cada 8–12 semanas. Como a linha de crescimento é mais suave, não chama a atenção tão depressa como a cor de cobertura total.
  • Vou parecer mais velha/o se deixar aparecer algum branco?
    A cor chapada e seca envelhece mais o rosto do que um toque de branco bem esbatido. Brilho saudável e dimensão à volta do rosto costumam ter um efeito “mais jovem” maior do que apagar cada fio branco.
  • O que devo pedir exatamente ao cabeleireiro?
    Diga que quer “esbatimento suave de brancos com lowlights e um gloss translúcido” e mostre duas ou três fotos de referência. Acrescente que prefere um resultado natural, vivido, em vez de 100% de cobertura.

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