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Baristas em Londres usam leite de algas para lattes, mas o sabor está a dividir os clientes dos cafés.

Barista a verter leite numa chávena de matcha num café, com um casal a conversar ao fundo.

Londonenses baristas estão discretamente a servir um novo tipo de leite para latte que cresce no mar, e os balcões dos cafés transformaram-se em linhas de costa para debate. Todos já passámos por aquele momento em que o primeiro gole surpreende tanto que olhamos para a chávena, a pensar no que acabou de acontecer.

O cheiro é familiar - espresso, chávena quente, um sussurro de baunilha vindo da vitrina dos doces - até que uma nota diferente se entranha. Algo limpo. Algo de maré. Ela está a vaporizar um novo “leite de algas”, uma mistura pálida e sedosa que os cafés de Londres começaram a testar este outono. Um ciclista com um casaco fluorescente inclina-se, curioso. Um cliente habitual de fato levanta uma sobrancelha, divertido mas disposto a experimentar. Maya serve, e a espuma assenta como cetim sobre o creme do café. O primeiro gole destranca um sabor que parece simultaneamente moderno e ancestral. E então chegou o oceano.

O novo leite salgado por trás da máquina

Leite de algas soa a desafio até se ver como se comporta. Estica-se em microespuma com uma obediência surpreendente, graças às gomas naturais e aos alginatos presentes no kelp e noutras plantas marinhas. A cor é o bege típico de latte, não verde, e o aroma fica algures entre o mineral e o neutro. Em cafés de Notting Hill a Peckham, os baristas falam dele como uma ferramenta nova, não como uma brincadeira. Uma forma de aliviar a pressão sobre a terra e a água doce, mantendo ainda assim aquela textura brilhante e vertível que um latte a sério exige.

Num bar minúsculo perto de Brick Lane, a equipa fez um teste ao fim de semana: leites de aveia, amêndoa e algas, lado a lado. A meio da tarde, a contagem no quadro de ardósia tinha pontos por baixo de cada um, com as algas a aguentarem-se bem. Uma designer gráfica adorou o estalo mineral que fez o seu flat white saber “mais limpo”. Um estudante fez uma careta, chamou-lhe “demasiado maré” e estendeu a mão para o açúcar. O preço ficou apenas alguns cêntimos acima do de aveia, o que não afastou a clientela da manhã. O público da noite foi mais cauteloso, cheirando as chávenas como se estivesse numa prova de vinhos.

Porquê esta divisão? Memória gustativa. Para alguns, “mar” é igual a peixe - que este leite não contém -, mas o cérebro liga notas de iodo a um piquenique à beira-mar. Para outros, essa mesma sugestão lê-se como fresca e saborosa, um umami subtil que torna o café mais cheio. Os compostos do café também arbitram a coisa. Torras mais claras com arestas cítricas podem chocar; já grãos mais achocolatados e com notas de frutos secos tendem a segurar a onda. A sustentabilidade acrescenta outro filtro: as algas não precisam de água doce nem de fertilizante e podem crescer depressa em mares frios. A chávena torna-se um referendo a valores, não apenas a sabor.

Como os baristas domam a maré

A técnica importa. A maioria dos baristas que observámos baixou a temperatura do vapor para cerca de 55–60°C no leite de algas, um ponto abaixo da rotina com aveia. Pense em alongamentos curtos e arrumados, com a ponta do vapor mesmo abaixo da superfície, e depois um polimento rápido para finalizar. Deixe o jarro repousar um ou dois instantes, rode, bata de leve e verta com pulso firme. O objetivo é uma brisa marítima suave, não uma tempestade. Esse calor mais baixo reduz a subida das notas iodadas e mantém a espuma acetinada em vez de rígida.

Erros comuns? Sobreaquecer é o principal; acima dos 65°C, os aromas saltam e a chávena fica “nori em primeiro plano”. Outro é combiná-lo com grãos ultra-frutados, de alta acidez, que exageram o lado marinho. Torras escuras podem resultar, mas escolha cacau em vez de fumo. Mantenha a lança de vapor extra limpa - misturas à base de algas agarram resíduos, o que turva o sabor. E guarde bem refrigerado: este leite absorve cheiros do frigorífico mais depressa do que o leite de vaca. Sejamos honestos: quase ninguém faz isso todos os dias.

Curioso sobre como os cafés mantêm os clientes do lado deles? Empurram a chávena com um enquadramento simples e combinações inteligentes. Uma pitada minúscula de sal num brownie pode fazer o latte parecer mais redondo. Chocolate, tahini e sésamo tostado resultam bem, tal como caramelo de miso e xarope de ácer.

“Dizemos às pessoas que é como um leite de aveia mais suave, com um toque de brisa do mar”, diz Maya, a limpar o balcão. “Depois vertemos um coração e deixamos a chávena falar por si.”

  • Melhores combinações: espresso achocolatado ou com notas de frutos secos, caramelo de miso, sésamo, ácer.
  • Meta de vaporização: 55–60°C; alongamento mínimo, polimento rápido.
  • Evitar: grãos de alta acidez, jarros sobreaquecidos, frigoríficos perfumados.
  • Boa frase: “Limpo, mineral, cremoso - quer provar primeiro?”

O que isto diz sobre o gosto - e para onde pode ir

O leite de algas não está a tentar ser leite de vaca. É uma faixa nova que pede à sala para ir a meio caminho. Londres já viu este filme com aveia e soja; primeiro vem a desconfiança, depois a multidão, depois um novo normal. A diferença aqui é o oceano. Esse pequeno eco marinho vira a história de “substituto” para “estilo”, uma escolha que se faz por certos grãos ou por certos estados de espírito. Alguns vão sempre desejar a doçura redonda da aveia, outros o deslizar neutro da amêndoa. Uma fatia da cidade vai começar a pedir algas porque sabe a um dia limpo junto ao Tamisa. O debate ao balcão é o objetivo. O gosto é pessoal, cultural e um pouco teimoso, e este leite toca nos três. Os baristas sabem que o melhor caminho é através de pequenos goles, conversa honesta e latte art que nos faz sorrir antes mesmo de beber.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Perfil de sabor Limpo, mineral, umami leve; microespuma cremosa Saber o que o primeiro gole pode trazer
Técnica do barista Vaporizar a 55–60°C, alongamento mínimo, combinar com grãos com notas de frutos secos Melhores lattes, menos surpresas “a peixe”
Sustentabilidade Algas crescem depressa, sem água doce nem fertilizante Alinhar a chávena com escolhas de menor impacto

FAQ:

  • O que é exatamente o leite de algas? Uma “mistura barista” de origem vegetal que usa ingredientes derivados de algas para dar corpo e espuma, muitas vezes combinados com bases neutras para equilíbrio.
  • Sabe a peixe? Não há peixe envolvido. Pode notar-se uma leve nota salina-mineral, que algumas pessoas descrevem como um toque limpo e saboroso.
  • Dá para fazer latte art com ele? Sim. Forma microespuma estável quando vaporizado um pouco mais frio, tornando corações e tulipas clássicos perfeitamente possíveis.
  • É seguro se eu for sensível ao iodo? Verifique os rótulos e pergunte no café; os níveis de iodo variam por marca, e pessoas com problemas de tiroide devem procurar aconselhamento adequado.
  • Onde posso provar em Londres? Procure cafés de especialidade em Shoreditch, Hackney, Peckham e Marylebone; muitos oferecem uma pequena prova antes de se comprometer.

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