O ar arrefece, os trilhos suavizam-se, e o nosso corpo pede movimento que não castigue. A marcha nórdica encaixa-se nesse espaço - baixo impacto, alta recompensa - precisamente quando joelhos e ancas mais sentem a mudança de estação.
O parque acordou em tons de cobre e fumo. As folhas estalavam com um som que quase se conseguia saborear, e os bastões clicavam num ritmo sincopado que fazia quem passava virar a cabeça. Um homem de gorro de lã ultrapassou-me no caminho, ombros soltos, passos firmes, bastões a pousar mesmo atrás da passada. «Os meus joelhos?», disse ele quando o alcancei. «Deixaram de se queixar quando comecei com isto em outubro passado.»
Passámos por um lago tão imóvel que parecia um espelho, um cão a espalhar gansos como confettis. Sem pressa. Só o toque quase musical das pontas de carboneto e o rolar suave do calcanhar até à ponta do pé. Nesta luz, mexer-se parecia um pequeno pacto com o corpo. Os joelhos dão por isso.
Porque é que o outono é o momento ideal para a marcha nórdica e para as articulações
A marcha nórdica distribui o trabalho. Os bastões funcionam como um segundo par de pernas, por isso a carga que normalmente se acumula nos joelhos e nas ancas passa a ser partilhada pelos braços, ombros e costas. Isso significa menos forças de travagem bruscas a cada passo. Nos trilhos macios de outono, o chão cede um pouco - e esse amortecimento é uma gentileza por si só. O ar mais fresco reduz o stress térmico. Os bastões aliviam os joelhos.
Pense num corredor que adora velocidade, mas odeia a dor depois. Conheci a Maria, 42 anos, que trocou a corrida pelos bastões em outubro passado depois de o joelho esquerdo começar a resmungar nas subidas. Em duas semanas já fazia 45 minutos, sem inchaço. Riu-se da ideia de ser «apenas caminhar» e depois mostrou-me a app: a frequência cardíaca a subir mais do que num passeio normal, o ritmo estável, o humor melhor. Vários estudos sugerem que os bastões podem reduzir a carga articular e o impacto no solo, ao mesmo tempo que aumentam o gasto energético - trabalha-se mais, sem o embate.
Eis porque é que a mecânica ajuda. Com a passada diagonal - pé esquerdo, bastão direito - cria-se um ritmo de quatro apoios que estabiliza a bacia e a coluna. A plantação do bastão atrás da anca impulsiona o corpo para a frente, para que os joelhos não tenham de funcionar como âncoras na descida ou na aceleração. O outono acrescenta dois presentes: superfícies mais “perdoadoras” (agulhas de pinheiro, terra húmida) que amortecem o impacto, e ar fresco que permite ir mais longe antes de se sentir “cozinhado”. Os trilhos macios de outono são amortecedores naturais.
Como caminhar: ajustes de técnica, erros comuns e ideias de trilhos
Comece com o padrão diagonal: o pé esquerdo avança ao mesmo tempo que o bastão direito é plantado ligeiramente atrás do calcanhar; depois troca. Mantenha os cotovelos fletidos perto dos 90 graus, pulsos soltos, e deixe a correia fazer a fixação. Pense «empurrar, não picar»: a ponta do bastão cai atrás do pé e empurra-o para a frente. Olhar no horizonte, peito aberto, e deixe as ancas rodarem um pouco. Deixe os bastões balançarem como os braços numa caminhada rápida.
A maioria das pessoas aperta demasiado a pega e encolhe os ombros. Essa tensão sobe logo para o pescoço e as costas. Solte, baixe os ombros e deixe a correia suportar a mão no movimento para trás. Se os bastões parecem demasiado compridos, provavelmente são; encurte até a pega ficar ao nível da prega do pulso. Todos já tivemos aquele momento em que um hábito novo parece parvo durante dez minutos e, de repente, faz “clique”. Deixe acontecer. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.
Dois sinais mudam tudo: caminhe alto e empurre para trás. A técnica vence a velocidade.
«Os bastões distribuem a carga para que os joelhos deixem de agir como travões», disse-me um fisioterapeuta do desporto num trilho enevoado junto ao lago. «Acerte o ângulo e as suas articulações respiram de alívio.»
- Escolha um comprimento de bastão em torno de 0,68–0,72 da sua altura (ou comece com os cotovelos num ângulo reto confortável).
- Use ponteiras de borracha no asfalto; mude para ponteiras de carboneto na terra para agarrar sem escorregar.
- Calçado: antepé flexível, sola aderente, amortecimento leve. Pense “pronto para trilho”, não pesado e volumoso.
- Aquecimento: 3 minutos suaves e depois acrescente o empurrão. Arrefecimento com 30 segundos de alongamentos suaves de gémeos e anca.
- Sugestões rápidas de trilhos para o outono: circuito de Tarn Hows no Lake District (Reino Unido), Monsal Trail no Peak District (Reino Unido), secções florestais da Wicklow Way (Irlanda), Nordmarka perto de Oslo (Noruega), troços de carvalhos do Skåneleden (Suécia), parte baixa do Westweg na Floresta Negra (Alemanha), caminhos de arenito de Fontainebleau (França), rochedos musgosos de Huelgoat na Bretanha (França), circuitos de folhagem dos Kingdom Trails em Vermont (EUA), Pine Creek Rail Trail na Pensilvânia (EUA), Wildwood Trail no Forest Park em Portland (EUA), prados do Golden Gate Canyon State Park no Colorado (EUA), North Shore State Trail no Minnesota (EUA), caminhos rurais do Emmental (Suíça), margens de lagos do Salzkammergut (Áustria).
O que o outono devolve
O outono convida a um ritmo diferente, aquele em que esforço e facilidade partilham o mesmo passo. A marcha nórdica transforma esse estado de espírito em movimento que protege as articulações em vez de as pôr à prova. Começa a notar pequenas vitórias: como as subidas ficam mais suaves com bastões, como o equilíbrio regressa sem dar por isso, como os joelhos deixam de discutir nas escadas. O trabalho torna-se uma forma de escuta.
Talvez seja a luz, baixa e macia, ou o silêncio dos trilhos quando as multidões de verão desaparecem. A mente ganha um bolso de espaço enquanto o corpo faz algo bom por si. Partilhe um percurso com um amigo, empreste os bastões para experimentar, ou una um caminho novo entre dois favoritos antigos. A estação não dura. O hábito pode durar.
| Ponto-chave | Detalhe | Benefício para o leitor |
|---|---|---|
| O outono reduz a tensão articular | Superfícies mais macias, ar mais fresco, ritmo mais constante | Caminhadas mais longas sem a dor posterior |
| Os bastões distribuem a carga | Passada diagonal, empurrão atrás da anca | Menos pressão nos joelhos, ancas e tornozelos |
| A técnica certa vale mais do que o equipamento | Ombros relaxados, uso da correia, comprimento adequado do bastão | Conforto imediato e melhores resultados |
FAQ:
- Quanto deve durar uma sessão de marcha nórdica? Comece com 20–30 minutos e acrescente 5 minutos por semana. A sua respiração, não o relógio, define o limite.
- A marcha nórdica ajuda na artrite? Muitas pessoas referem menos dor articular graças à partilha de carga e a uma mecânica mais suave. Comece devagar e mantenha o empurrão leve.
- Que sapatos são melhores? Sapatos leves de trilho, com aderência e antepé flexível. Ténis de estrada funcionam no alcatrão, mas a terra de outono pede rasto.
- É melhor usar bastões fixos ou ajustáveis? Os fixos são mais leves e silenciosos; os ajustáveis servem para vários utilizadores e arrumam-se para viajar. Escolha o que se adapta à sua rotina.
- Posso fazer marcha nórdica em subidas? Sim. Encurte a passada a subir e plante os bastões com uma inclinação um pouco mais acentuada; a descer, mantenha passos rápidos e faça as pontas tocarem primeiro para controlar.
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