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Chefs explicam que adicionar uma pitada de bicarbonato à molho de tomate pode prevenir a azia.

Pessoa a adicionar sal a uma panela com molho de tomate. Ao fundo, limão, massa e ervas na bancada.

O cheiro foi o primeiro a chegar. Doce, intenso, um pouco agressivo - aquele aroma clássico de molho de tomate a subir da frigideira e a encher a cozinha minúscula. No fogão, uma panela de vermelho a borbulhar prometia conforto, noite de massa, um jantar fácil depois de um dia longo. Mas, à mesa, havia um cálculo silencioso que ninguém dizia em voz alta. Quanto é que posso comer antes de o peito começar a arder esta noite?
Um amigo chef viu esta dança durante anos e, numa noite, fez algo estranho. Pegou numa pitada minúscula de pó branco, deixou-a cair no molho e sorriu. “Confia em mim”, disse ele. “Isto pode mudar a tua vida.”
Não estava a brincar.

Porque é que o molho de tomate sabe a uma pequena traição culinária

O molho de tomate parece inocente, até nostálgico, mas para muita gente vem com um preço. Aquele ardor lento e insistente a subir pelo peito uma hora depois de teres limpado o prato. Afastas o prato, bebes água, mastigas uma pastilha de menta, prometes a ti mesmo que para a próxima vais comer “mais leve”.

A questão é que os tomates são naturalmente bastante ácidos. Junta vinho, talvez um salpico de vinagre, umas gotas de limão, e a tua reconfortante noite de massa pode transformar-se numa batalha nocturna com azia. Não estás a imaginar. O teu corpo está simplesmente a reagir à acidez que dá ao molho de tomate aquele sabor vivo e marcante.

Pergunta a famílias italo-americanas e vais ouvir histórias semelhantes. O molho de domingo da avó que toda a gente adora - e toda a gente secretamente teme às 23h. Um chef de Brooklyn contou-me que, quando abriu a sua pequena trattoria, metade dos clientes habituais começou a pedir “o molho suave”, porque o estômago já não aguentava a versão clássica.
E ele notou outra coisa: não eram só pessoas mais velhas. Jovens cozinheiros, estafetas que pegavam num prato depois do turno, até influenciadores que iam filmar conteúdo. Saboreavam cada garfada e depois, discretamente, perguntavam se ele tinha antiácidos atrás do balcão. O molho era delicioso. O esófago deles, menos entusiasmado.

O que se passa é ciência simples disfarçada de conforto. O esfíncter esofágico inferior, a pequena válvula entre o esófago e o estômago, não gosta de levar com ácido a noite toda. Quando o molho de tomate é muito ácido, pode desencadear refluxo em pessoas sensíveis, fazendo o ácido do estômago voltar para cima, para onde não pertence.
E acabas com aquela sensação familiar de queimadura, talvez um sabor azedo, por vezes até uma tosse que não passa depois do jantar. É aqui que entra um “truque” de cozinha - um que chefs usam em silêncio, não para tornar o molho mais sofisticado, mas para te ajudar a dormir mais tarde.

A pequena pitada branca que muda a noite inteira

Eis o que os chefs fazem quando querem um molho de tomate mais amigo do peito: perto do fim da cozedura, juntam apenas uma pitada de bicarbonato de sódio. Não é uma colher. Não é uma boa polvilhadela. É uma pitada rápida e modesta entre o polegar e os dedos, mexida em lume brando.
O molho vai efervescer por um momento, como se estivesse a discutir contigo. Depois acalma, as bolhas desaparecem, e o sabor suaviza ligeiramente. A acidez agressiva relaxa. Provas e, de repente, o molho parece mais redondo, menos cortante - mais algo que vais apreciar agora e não lamentar às 2 da manhã.

Muitos cozinheiros em casa tentam resolver o mesmo problema de outra forma. Deitam açúcar para “cortar” a acidez ou afogam o molho em natas ou queijo. Ajuda um pouco, mas não muda a química de base. Um chef em Chicago disse-me que via a avó a deixar o molho a apurar o dia inteiro e, no fim, a mexer discretamente um bocadinho de bicarbonato de sódio mesmo antes de servir.
Um dia perguntou-lhe porquê. Ela apontou para o peito e disse: “Porque eu gosto de dormir.” Nunca chamou a isso ciência, mas era exactamente isso que fazia: neutralizava parte do ácido para o molho não se virar contra ela depois do jantar. Era um truque de sobrevivência disfarçado de tradição.

A verdade simples é esta: o bicarbonato de sódio é uma base, os tomates são ácidos e, quando se encontram, reagem. A pequena efervescência que vês é dióxido de carbono a ser libertado à medida que o ácido e a base se equilibram. O pH do molho aproxima-se um pouco mais do neutro - e o teu esófago costuma agradecer.
Usado em quantidades minúsculas, o bicarbonato de sódio não transforma o teu molho em algo estranho, espumoso ou “químico”. Apenas desloca, discretamente, o molho de agressivo para suave. É por isso que tantos chefs o usam quando sabem que estão a cozinhar para estômagos sensíveis, crianças ou qualquer pessoa que já está meio numa relação com antiácidos.

Como usar bicarbonato de sódio no molho sem estragar o jantar

Os chefs que juram por este truque seguem, em geral, uma regra simples: cozinha o molho por completo primeiro e só depois ajusta a acidez no fim. Começa pela tua base habitual - cebola, alho, azeite, tomate, ervas. Deixa apurar até os sabores se juntarem e aquela aresta de tomate cru desaparecer.

Só então, em lume brando, pega numa pitada minúscula de bicarbonato de sódio e polvilha a superfície. Mexe bem e espera 30 segundos. Vais ver bolhas. Prova. Se o molho ainda estiver demasiado “vivo”, junta outra pitada muito pequena. O objectivo é mais suave, não insosso. Uma ou duas pitadas chegam para uma panela de tamanho familiar.

O erro mais comum é exagerar. As pessoas lêem sobre o truque, entusiasmam-se e atiram meia colher de chá de uma vez. De repente, o molho fica sem graça, quase com um toque a sabão, e o brilho do tomate desaparece. A versão do chef é o oposto: pequena, gradual, quase tímida.
Outra armadilha é tentar resolver tudo com bicarbonato quando outros hábitos também estão a empurrar o corpo para a azia - comer depressa, ir logo para o sofá, carregar no vinho. Todos já passámos por isso: aquele momento em que culpas o molho, mas sabes, lá no fundo, que o terceiro copo de tinto não ajudou. Esta pitada é uma ferramenta, não um milagre.

Um chef italiano que agora cozinha sobretudo para clientes preocupados com a saúde disse-o assim:

“O molho de tomate deve abraçar-te, não lutar contigo. Uma pitada de bicarbonato de sódio é como baixar o volume da acidez para o sabor poder cantar sem gritar ao teu esófago.”

Ele também resume a sua estratégia de conforto numa checklist simples que mantém num post-it ao lado do fogão:

  • Usar tomates de qualidade (muitas vezes menos agressivos do que os muito baratos)
  • Apurar tempo suficiente para desaparecer o travo cru
  • Adicionar bicarbonato de sódio no fim, em pitadas, não em colheres
  • Provar entre cada pitada e parar assim que o molho suavizar
  • Servir porções mais pequenas e comer devagar em dias propensos a refluxo

Viver com azia sem abdicar da noite de massa

Quando sabes este truque, começas a olhar para toda a tua rotina de outra forma. Talvez não precises de abandonar o molho de tomate nem de trocar por jantares sem graça e sem alegria. Talvez só precises de uma versão um pouco mais gentil da comida que já adoras - mais algumas pequenas mudanças na forma e no momento em que a comes.
Alguns leitores que experimentaram o método do bicarbonato falam de um alívio discreto: conseguem sentar-se à mesa com toda a gente, enrolar a massa num molho escarlate e não sentir que estão a apostar o sono. Isso não resolve todos os problemas de refluxo, mas remove um dos maiores gatilhos do prato.

Há também um conforto estranho em perceber que os chefs, que poderiam cozinhar qualquer coisa, continuam obcecados com pequenos truques como este. Não estão a perseguir perfeição para o Instagram. Estão a pensar em como as pessoas se sentem depois de saírem da mesa. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas quando fazes, notas a diferença.
Podes dar por ti a experimentar - uma sopa de tomate mais suave, uma shakshuka menos agressiva, um molho de pizza que não vem com “ressaca”. Podes perguntar à tua família o que notou. Podes enfiar discretamente uma caixa de bicarbonato na despensa e nunca falar disso, mas usá-la sempre que o molho vermelho entra no menu.

Da próxima vez que sentires aquela picada familiar no peito depois da massa, talvez te lembres da pequena efervescência na panela e penses quanto do teu desconforto é negociável. A comida não tem de ser uma troca entre prazer agora e dor mais tarde. Às vezes, a diferença entre os dois é literalmente uma pitada entre os dedos.
E, depois de experimentares, talvez comeces a partilhar a dica da mesma forma que os chefs: casualmente, por cima de uma panela de molho, com alguém que acha que a azia é “parte do pacote”.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Neutralizar a acidez Uma pitada minúscula de bicarbonato de sódio reage com o ácido do tomate e aumenta suavemente o pH do molho Menor probabilidade de azia e refluxo, mantendo o molho saboroso
Usar no fim Adicionar bicarbonato de sódio em pequenas pitadas perto do fim da cozedura, provando após cada adição Melhor controlo do sabor para o molho não ficar insosso ou com gosto a sabão
Parte de uma rotina maior Combinar o truque com comer mais devagar, porções moderadas e extras mais leves como vinho e queijo Digestão mais confortável e menos noites difíceis depois de massa ou pizza

FAQ:

  • Posso usar fermento em pó em vez de bicarbonato de sódio? O fermento em pó não é a mesma coisa. Contém bicarbonato de sódio mais ácidos e amido, o que pode alterar o sabor e a textura do teu molho. Para este truque, queres apenas bicarbonato de sódio simples.
  • Quanto bicarbonato de sódio devo adicionar ao molho? Começa com uma pitada pequena (cerca de 1/16 de colher de chá) para uma panela média, mexe, espera e prova. Se for preciso, junta outra pitada pequena. Ir devagar é a forma mais segura de evitar que o sabor fique apagado.
  • O bicarbonato de sódio vai acabar completamente com a minha azia? Pode aliviar um grande gatilho - a acidez - mas não resolve todas as causas de azia. O tamanho da porção, a velocidade a que comes, o horário e outros alimentos ou bebidas também influenciam muito como te sentes.
  • O bicarbonato de sódio faz o molho saber a “estranho”? Usado com leveza, a maioria das pessoas nem dá por ele, excepto por sentir o molho mais suave e menos agressivo. Se notares um travo a sabão, provavelmente adicionaste demasiado e deves reduzir a quantidade da próxima vez.
  • Isto é seguro para usar com regularidade na cozinha de casa? Para a maioria das pessoas, uma quantidade minúscula de bicarbonato de sódio na comida é considerada segura. Se tens condições de saúde específicas ou segues uma dieta com pouco sódio, fala com o teu médico sobre a frequência de utilização.

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