Saltar para o conteúdo

Deve escrever “Veja o BI” no verso do cartão em vez de assinar, para ajudar a evitar fraudes.

Mãos segurando caneta a escrever em cartão de crédito sobre mesa de madeira com carteira e chave ao lado.

A fila já estava tensa na caixa do supermercado quando a operadora, de repente, ficou imóvel, com o meu cartão na mão. Virou-o ao contrário, franziu o sobrolho e depois olhou-me directamente. “Não assinou no verso”, disse. Atrás de mim, um homem suspirou. Uma criança começou a choramingar. Senti a cara a aquecer enquanto procurava o meu documento de identificação, já a preparar-me para uma discussão constrangedora sobre segurança e regras do banco.

Ela lançou um olhar à minha carta de condução, acenou com a cabeça e avançou com o pagamento. Dois segundos, sem drama. Ainda assim, ao voltar para o carro, um pormenor minúsculo atingiu-me: se alguém tivesse roubado o meu cartão, aquela cena podia ter terminado de forma muito diferente.

E é exactamente aqui que três pequenas letras podem, em silêncio, mudar tudo.

Porque é que “Ver BI” num cartão de crédito trava os ladrões

A maioria de nós assina o verso de um cartão novo à pressa, quase em piloto automático. Tira-se o autocolante, pega-se numa caneta, rabisca-se o nome numa caixinha apertada e nunca mais se pensa no assunto. Aquela assinatura parece uma formalidade, uma regra antiga que sobrou dos anos 90.

No entanto, aquele espaço em branco é um dos poucos sítios onde ainda tens algum controlo. Se escreveres a tua assinatura habitual, acabas de oferecer a qualquer ladrão um modelo gratuito de treino para falsificar o teu nome. Se, em vez disso, escreveres “Ver BI”, de repente um desconhecido tem de fingir mais do que a tua caligrafia.

Imagina dois cenários. No primeiro, roubam-te a carteira num metro cheio. O ladrão vai directamente a uma loja ali perto, passa o cartão e vira-o. A tua assinatura certinha está lá. Ele copia uma versão aproximada no talão e, como toda a gente tem pressa, a transacção passa sem grande escrutínio.

Segundo cenário: roubam-te a carteira, mesma loja, mesma fila. Desta vez, a operadora vira o cartão e vê três letras claras: “Ver BI”. Está treinada para comparar o nome e a fotografia. Sem cara correspondente, sem documento válido, não há venda. O ladrão fica, de repente, com um pedaço de plástico inútil e um pânico crescente.

Por si só, escrever “Ver BI” não vai, por magia, acabar com a fraude com cartões. Ainda assim, acrescenta fricção exactamente onde os criminosos a odeiam: no momento de utilização. As verificações de assinatura são irregulares, as pessoas distraem-se e muitos talões passam sem serem confirmados.

Mas aquele aviso visual faz com que quem está na caixa tenha tendência a parar e a levantar os olhos. Essa pausa minúscula dá à tua identidade verdadeira uma hipótese. E, na realidade confusa da segurança do dia-a-dia, pequenas fricções muitas vezes contam mais do que ferramentas complicadas.

Como escrever “Ver BI” da forma inteligente (e o que as pessoas fazem mal)

O método é simples: em vez de assinares o verso do cartão com o teu nome completo, escreves “Ver BI” com tinta permanente na faixa de assinatura. Curto, legível, centrado. Não compliques, não acrescentes desenhos, não o encolhas em letras microscópicas. Queres que quem está na caixa o leia num relance.

Algumas pessoas gostam de acrescentar as iniciais ao lado, mas o detalhe essencial é a instrução. Estás a enviar uma mensagem directa e educada a quem manuseia o teu cartão: não confie só neste plástico, confirme a pessoa que o está a usar. É exactamente este tipo de truque “low-tech” que, de forma discreta, eleva a fasquia para a fraude.

É aqui que muitos de nós falham. Pomos “Ver BI” num cartão e esquecemos os outros. Ou escrevemos com uma caneta de tinta que se apaga e, ao fim de um mês numa carteira cheia, já desapareceu. Por vezes, escrevemos tão pequeno que ninguém repara na caixa. Sejamos honestos: ninguém anda a actualizar os cartões todos os dias.

Melhor abordagem: da próxima vez que te sentares para pagar contas ou esvaziares os bolsos, pega num marcador permanente de ponta fina e faz uma mini-sessão de segurança. Um cartão atrás do outro, a mesma escrita clara, no mesmo sítio. Dois minutos - e acabaste de subir um nível às tuas defesas diárias.

Examinadores forenses de documentos referem frequentemente que uma assinatura impressa num cartão é um presente para fraudadores: é um modelo visual limpo que conseguem imitar rapidamente sob pressão.

Agora imagina que queres uma espécie de “checklist de segurança” na cabeça. Aqui vai uma versão simples, quase como uma pequena caixa no teu painel mental:

  • Escreve “Ver BI” de forma clara em cada cartão novo que recebas
  • Usa um marcador permanente para que o texto não desvaneça nem borre
  • Combina isto com um PIN forte e alertas na app do teu banco
  • Mostra, com calma, o teu documento de identificação quando a operadora pedir
  • Verifica os extractos semanalmente à procura de cobranças estranhas e pequenas

São gestos pequenos, nada glamorosos. Mas, em conjunto, fecham discretamente várias portas fáceis por onde os ladrões adoram entrar.

Quando três letras se tornam um hábito diário silencioso

O truque do “Ver BI” não resolve hacking digital, fugas de dados ou números roubados a circular na dark web. Ainda assim, aponta para algo mais profundo: as pequenas formas de recuperarmos alguma autonomia num sistema que muitas vezes parece estar sempre um passo à nossa frente. A operadora que faz uma pausa. O ladrão que hesita. O momento em que reparas numa transacção estranha porque já estavas, a meio, à espera de apanhar uma.

Todos já passámos por isso: aquele instante em que aparece um alerta de fraude no telemóvel e o estômago dá um salto por um segundo. Talvez nunca venhas a saber que gesto exacto te poupou dinheiro ou chatices: o alerta, a verificação do BI, a vista de olhos rápida ao extracto num domingo à noite. No entanto, estes pequenos movimentos somam-se e criam uma espécie de armadura do dia-a-dia. Da próxima vez que rodares um cartão novo na mão e vires aquela faixa em branco a olhar para ti, vais perceber que o que ali escreves é mais do que uma formalidade. É uma instrução silenciosa ao mundo sobre o quão a sério levas a tua própria identidade.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
“Ver BI” substitui a tua assinatura Escrever na faixa de assinatura incentiva a operadora a verificar o teu documento com fotografia Reduz a probabilidade de um ladrão usar o teu cartão presencialmente
Remove um modelo gratuito da tua caligrafia Sem assinatura visível, há menos material para falsificadores copiarem nos talões Dificulta a personificação em transacções feitas à pressa
Funciona melhor com outros pequenos hábitos Combina “Ver BI” com alertas, protecção por PIN e verificações regulares do extracto Cria uma defesa por camadas, realista, contra a fraude comum com cartões

FAQ:

  • Pergunta 1 O meu banco pode recusar o meu cartão se eu escrever “Ver BI” em vez de o assinar?
  • Pergunta 2 Escrever “Ver BI” protege-me de fraude online com cartão?
  • Pergunta 3 Devo continuar a assinar talões se o meu cartão disser “Ver BI”?
  • Pergunta 4 E se a operadora ignorar “Ver BI” e não pedir o meu documento?
  • Pergunta 5 Ainda vou a tempo de escrever “Ver BI” se o meu cartão já estiver assinado?

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário