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Edredões deixam de ser usados em 2026; alternativa elegante, confortável e prática conquista as casas francesas.

Pessoa a fazer uma cama com lençóis brancos numa sala iluminada, com janela e mesa de cabeceira ao fundo.

A primeira vez que se tira a roupa de uma cama num apartamento em Paris, a meio de janeiro, e não se encontra um edredão grosso e fofo, a sensação é estranha. Quase como se o anfitrião se tivesse esquecido de algo essencial. E, no entanto, cada vez mais casas francesas estão a fazer precisamente isso: a despedirem-se da volumosa couette que dominou os nossos invernos durante décadas.

Numa manhã cinzenta de domingo em Lyon, vi um casal refazer a cama em menos de 30 segundos: sem lutar com cantos, sem sacudir nuvens de penas para as pôr no sítio. Apenas camadas bem assentes, algumas dobras, uma manta macia. A cama parecia a de um hotel boutique.

A parte engraçada? Dormem mais quentes e melhor do que com o velho edredão.

Algo está a mudar, discretamente, debaixo dos lençóis.

O fim do reinado do edredão

Percorra interiores franceses no Instagram ou espreite apartamentos reais nas fotos do Le Bon Coin: o edredão alto e fofo está, lentamente, a desaparecer. A tendência está a inclinar-se para roupa de cama mais leve e em camadas, que parece mais um sofá bem vestido do que um rolo de salsicha.

Lençóis de cima, colchas acolchoadas, cobre-leitos leves, mantas ao fundo da cama. Tudo cuidadosamente escolhido, combinado e, depois, amarrotado de forma casual, como se não tivesse dado trabalho nenhum. O ambiente é “acordei assim”, mas a realidade é uma revolução silenciosa na forma como os franceses gerem o conforto noturno.

Veja-se o caso da Camille, 34 anos, que vive num apartamento de 40 m² em Toulouse. Há dois anos, deixou o seu edredão 240×220 que mal cabia na máquina de lavar e ocupava metade do roupeiro. Agora dorme com um lençol de algodão por cima, um boutis (cobertura acolchoada) de gramagem média e, no inverno, uma manta de lã.

A sua rotina de lavandaria mudou de um dia para o outro. Acabaram-se as idas à lavandaria automática com uma capa de edredão gigante. Lava o lençol semanalmente, o boutis mensalmente e a manta a cada estação. A cama parece sempre fresca, nunca “pesada”, e o quarto tem aspeto de revista mas com ar verdadeiramente vivido.

Há uma lógica simples por detrás desta separação silenciosa dos edredões. As casas francesas estão melhor isoladas, os radiadores são muitas vezes regulados para temperaturas mais baixas e as ondas de calor no verão estão a intensificar-se. Um edredão “tamanho único” tem dificuldade em acompanhar.

A roupa de cama em camadas adapta-se. Está demasiado quente às 3 da manhã? Tire a manta e fique só com o lençol. Chega uma vaga de frio em março? Acrescente uma colcha sem ter de desmanchar a cama toda. A tendência é menos sobre estilo e mais sobre controlo: temperatura, lavagem, arrumação e até a sensação de espaço na cama durante a noite.

O que está a substituir o edredão nos quartos franceses

A estrela desta nova era é a combinação: um lençol de cima, uma colcha leve ou boutis, e uma camada extra sazonal. O método é simples. Comece com um lençol de baixo com elástico, bem ajustado ao colchão. Acrescente um lençol de cima generoso, que pode ser bem preso aos pés da cama.

Depois entra uma cobertura acolchoada, idealmente de algodão ou linho, que cubra a cama mas não seja tão espessa que se torne sufocante. No fim, uma manta ou cobertor leve dobrado em três, pronto a ser aberto quando a temperatura desce. A beleza está na rapidez com que adapta a cama ao seu corpo - e não o contrário.

Claro que muita gente falha ao início. Trocam o edredão por uma única colcha enorme e pesada e acabam a suar às 2 da manhã. Outros compram três camadas finas que escorregam e acabam num monte no chão pela manhã.

A chave é pensar em “patamares de peso”: um lençol respirável em contacto com a pele, uma camada intermédia que funcione nove meses em doze e uma mais quente que só entra em cena nas noites geladas. E sim, todos já passámos por isso: acordar às 4 da manhã a tremer porque, três horas antes, num ataque de calor, atirámos dramaticamente tudo para o lado.

As marcas francesas que estão a surfar esta onda repetem todas o mesmo mantra: macio, lavável, combinável. Um designer de roupa de cama em Lille disse-me:

“As pessoas estão fartas de lutar com a capa do edredão todas as semanas. Querem roupa de cama que se consiga mudar sozinho, sem um tutorial do YouTube e sem um segundo par de braços.”

Para facilitar esta mudança, muitos designers de interiores sugerem um kit inicial simples:

  • Um lençol de baixo com elástico + um lençol de cima em percal ou algodão lavado
  • Um boutis acolchoado de meia-estação, numa cor neutra
  • Uma manta texturada (lã, mohair ou algodão tipo waffle) para o fundo da cama
  • Dois conjuntos de fronhas para rodar, mantendo as mesmas camadas de base
  • Um cobre-leito de verão, leve o suficiente para substituir o boutis em julho

Sejamos honestos: ninguém muda a capa do edredão todas as semanas. Com camadas, lava-se com mais frequência o que realmente toca na pele, e o resto segue o seu ritmo - mais calmo.

Uma nova forma de dormir - e de mostrar o quarto

Por detrás deste movimento “sem edredões” há algo mais do que uma moda de decoração. O quarto francês já não é um espaço escondido e ligeiramente embaraçoso. Aparece em videochamadas, em visitas guiadas a apartamentos, em histórias no Instagram. A cama tem de parecer apresentável, mesmo numa terça-feira caótica.

Os edredões tendem a inchar, a escorregar e a acumular-se nos cantos. A roupa de cama em camadas, pelo contrário, achata a silhueta da cama. O olhar apanha linhas e texturas, não volumes. Há uma elegância discreta numa cama vestida com duas ou três camadas bem escolhidas, que caem no ponto certo até ao chão.

Há também um lado muito prático. Um edredão grande é difícil de arrumar entre estações, sobretudo em apartamentos franceses pequenos, já a abarrotar de casacos e sapatos. Uma colcha dobrada e uma manta enrolada cabem num cesto ou em cima do roupeiro. Sem sacos a vácuo, sem luta com plástico.

E, para casais com “termostatos internos” diferentes, esta abordagem pode evitar muitas discussões. Uma pessoa dorme com o lençol e a colcha, a outra acrescenta a manta. Tratado de paz assinado - sem negociações às 3 da manhã quando alguém tenta roubar o edredão inteiro.

Esta mudança deixa uma grande pergunta: estaremos prontos para abandonar de vez o conforto volumoso do edredão? Alguns nunca vão abdicar dessa sensação de casulo - e está tudo bem. Ainda assim, a tendência diz muito sobre o que esperamos das nossas casas em 2026: flexibilidade, facilidade, um toque de luxo de hotel sem o esforço de hotel.

O quarto torna-se um laboratório onde testamos novas rotinas, novos materiais, novas formas de descansar. Alguns ficam-se por uma manta extra; outros constroem um verdadeiro “guarda-roupa” de camadas por cor e estação. O interessante não é o objeto que substituímos, mas a liberdade que ganhamos para ajustar - estação após estação, noite após noite - à forma como realmente vivemos e dormimos.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Roupa de cama em camadas substitui os edredões Lençol de cima + colcha de gramagem média + manta sazonal Controlo de temperatura mais fácil e conforto diário
Rotina de manutenção mais leve Lavar lençóis com frequência, colchas e mantas menos vezes Cama mais limpa, menos stress e custo com lavagens
Melhor aproveitamento de espaços pequenos Colchas e mantas arrumam-se dobradas ou em cestos Mais espaço de arrumação, menos confusão visual em casa

FAQ:

  • Pergunta 1 É mesmo mais quente no inverno livrar-me do edredão?
  • Pergunta 2 Que materiais funcionam melhor para esta tendência de roupa de cama em camadas?
  • Pergunta 3 Posso manter o meu edredão e ainda assim seguir o “look” francês?
  • Pergunta 4 Com que frequência devo lavar cada camada?
  • Pergunta 5 Isto é adequado para pessoas com alergias?

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