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Em 2024, Portugal lidera nas energias renováveis na Europa com 71%, ultrapassando a Alemanha.

Homem trabalha em tablets com gráficos, modelos de energia solar e eólica, visão de turbinas e painéis solares ao fundo.

Fresh data do operador da rede elétrica de Portugal mostram um ponto de viragem na eletricidade limpa. O mix mudou rapidamente, e os números têm peso para investidores, decisores, planeadores e famílias.

A liderança discreta de Portugal face à Alemanha

Portugal terminou 2024 com as renováveis a cobrirem 71% do consumo de eletricidade, segundo dados do sistema nacional. A Alemanha, âncora industrial da Europa, também acelerou, mas não ultrapassou essa fasquia. O resultado de Portugal assenta numa base ampla: hídrica, eólica, solar e biomassa - todas cresceram ou se mantiveram fortes.

Portugal registou uma quota de 71% de eletricidade renovável em 2024, liderada pela hídrica com 28% e pela eólica com 27%, com a solar a 10% e a biomassa a 6%.

Por trás da percentagem, os volumes contam. A produção renovável atingiu 36,7 TWh em 2024. Isso implica uma procura total de eletricidade perto de 51,7 TWh. A discriminação abaixo cruza quotas com produção aproximada para dar escala.

Fonte Quota do consumo Produção aprox. (TWh)
Hídrica 28% ~14,5
Eólica 27% ~14,0
Solar fotovoltaica 10% ~5,2
Biomassa 6% ~3,1

O ano de afirmação da solar

A solar registou o salto mais rápido. A produção subiu 37% face ao ano anterior, à medida que Portugal adicionou parques de grande escala e um fluxo constante de instalações em telhados. Preços mais baixos dos módulos, prazos de construção mais curtos e sinais claros nos leilões ajudaram. Nas horas de meio-dia, a solar empurrou frequentemente centrais a gás para fora da ordem de mérito. O corte de produção (curtailment) manteve-se limitado graças às interligações e à flexibilidade hídrica.

A hídrica regressa em força

A hídrica cresceu 24% com um ano hidrológico mais favorável e uma gestão de despacho inteligente. Os operadores usaram albufeiras para equilibrar oscilações da eólica e da solar. A bombagem acrescentou flexibilidade para absorver excedentes fora de ponta. O ressalto contrasta com anos de seca, quando a almofada hídrica encolheu e as importações aumentaram. O risco associado à água continua, pelo que os operadores acompanham de perto as previsões sazonais.

A eólica mantém-se firme

A eólica forneceu uma espinha dorsal quase de base durante tempestades de inverno e brisas costeiras. O repowering de turbinas aumentou a produção sem expandir áreas ocupadas. Reforços de rede reduziram o curtailment em noites de vento forte. O offshore continua no roteiro, com o planeamento do fundo marinho agora mais claro, mas a maior parte dos ganhos até aqui vem de parques em terra.

O gás recua para um mínimo de 21 anos

A produção fóssil cobriu apenas 10% do consumo de eletricidade em 2024. A procura de gás para produção elétrica caiu 17%, o nível mais baixo desde 2003. As cargas de GNL continuaram a ser relevantes para a segurança. Os envios vieram sobretudo da Nigéria (53%) e dos Estados Unidos (41%), segundo registos do sistema. Menos horas de queima de gás reduziram a intensidade carbónica e aliviaram os preços grossistas durante semanas de vento e chuva.

O consumo de gás para eletricidade caiu 17% em 2024, atingindo o nível mais baixo desde 2003, à medida que as renováveis ganharam espaço nas horas de ponta.

Porque aconteceu este salto

  • Política estável: leilões regulares, contratos financiáveis (bankable) e regras de rede claras.
  • Flexibilidade hídrica: albufeiras e bombagem a equilibrar picos solares e rajadas eólicas.
  • Licenciamentos mais rápidos: menos burocracia para repowering e solar de média dimensão.
  • Interligação: comércio robusto com Espanha apoia o equilíbrio hora a hora.
  • Onda de telhados: esquemas de autoconsumo acrescentam oferta diurna e reduzem a procura.

O que significa para as faturas, as redes e os vizinhos

Mais energia com custo marginal quase nulo tende a puxar os preços para baixo em períodos de vento ou chuva. Isso ajuda os consumidores, mas aumenta a volatilidade. A rede portuguesa geriu maiores oscilações intradiárias com hídrica, baterias e fluxos transfronteiriços para o mercado espanhol. A congestão ainda surge em noites de tempestade. Projetos de armazenamento procuram absorver esses preços baixos e vender no pico da tarde/noite.

Os consumidores industriais ganham opções. As empresas podem assinar PPAs (power purchase agreements) ligados a eólica ou solar local. Data centers e unidades eletrointensivas podem deslocar parte da procura quando os preços descem. O operador de rede precisa de previsões muito rigorosas; por isso, melhores modelos meteorológicos e telemetria das centrais estão agora no núcleo das operações diárias.

O risco está na linha de água. Um ano seco pode penalizar a hídrica e trazer o gás de volta como backup. A política protege a procura com melhorias de eficiência, bombas de calor e tarifas mais inteligentes. O mercado ibérico também amortece choques, porque o mix de Espanha pode cobrir falhas e absorver excedentes quando as condições se invertem.

O quadro mais amplo da Europa

Na UE, as renováveis ultrapassaram a metade da eletricidade no primeiro semestre de 2024. A eólica e a solar chegaram a cerca de 30% do mix, enquanto os combustíveis fósseis desceram para perto de 27% com procura mais branda e forte produção renovável. A nova capacidade eólica até 2027 parece significativa, com mais de 100 GW previstos por toda a Europa. A solar continua a expandir-se tanto em grande escala como em telhados.

A Alemanha adicionou um grande volume de painéis e turbinas em 2024. A sua quota ainda fica atrás da de Portugal porque a procura alemã é muito maior e mais industrial. Portugal beneficiou de uma rede mais compacta, de abundância hídrica e de rápida implementação solar, o que amplificou a variação percentual anual.

O que observar em 2025

  • Centrais híbridas: solar construída ao lado de eólica ou hídrica para partilhar ligações à rede.
  • Carteiras de baterias: sistemas de quatro horas a capturar o pico da tarde/noite e a equilibrar previsões do mercado do dia seguinte.
  • Fotovoltaico flutuante em albufeiras: menor uso de solo e ligação mais estreita com ativos hídricos.
  • Pilotos de hidrogénio verde: uso fora de ponta onde já existem gasodutos e portos.
  • Carga de carregamento de VE: carregamento gerido que transforma os carros em procura flexível.

Duas notas práticas para os leitores

O fator de capacidade baralha muitas pessoas. Significa a produção média num período dividida pela produção máxima possível. Os parques eólicos em Portugal tipicamente operam perto de 30% a 40% ao longo do ano. A solar fica mais perto de 20% a 25%, dependendo da localização e da inclinação. Estes valores moldam receitas e planeamento da rede, porque indicam quando a energia chega de facto.

Um exemplo doméstico ajuda. Um sistema de 5 kW num telhado em Lisboa pode produzir cerca de 7.500 kWh por ano em boas condições. Um apartamento típico consome 2.500 a 3.000 kWh. Com regras de autoconsumo e um inversor inteligente, uma família pode cobrir a maior parte do uso diurno e vender o excedente. Juntar uma pequena bateria desloca a solar do fim da tarde para a hora do jantar. O retorno depende da tarifa, da inclinação do telhado e do custo do equipamento, mas as contas inclinam-se cada vez mais a favor da instalação.

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