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Especialistas alertam: evite plantar esta espécie no jardim, pois atrai muitas cobras e pode transformar o seu quintal num habitat de verão para elas.

Homem a cuidar de planta no jardim, usando luvas e ferramentas de jardinagem, com um balde verde ao lado.

A primeira vez que a Emma o viu, a planta parecia o próprio verão. Alta, viçosa, lindamente plumosa junto à base da vedação. A etiqueta do centro de jardinagem chamava-lhe “erva ornamental - perfeita para bordaduras”. Ela imaginou-a a ondular na luz do fim da tarde, crianças a brincar descalças ali perto, um copo de limonada fresca na mesa do pátio. Não imaginou o que viria a seguir.

Uma semana depois, o cão ficou imóvel e fixou o olhar naquele mesmo canto do quintal. E depois veio o som que nenhum proprietário esquece: o sibilar seco e baixo de uma cobra a deslizar por entre os tufos verdes e densos. A Emma fez o que a maioria de nós faria. Gritou, agarrou nas crianças e passou o resto do dia a pesquisar no Google “porque é que há cobras no meu quintal?”. Uma resposta continuava a aparecer.

Algumas plantas não se limitam a decorar o jardim. Estendem um tapete de boas-vindas de verão para as cobras.

A ornamental “perfeita” que, em silêncio, convida cobras a entrar

Passe por qualquer corredor de jardinagem de uma grande superfície e vai dar por ela de imediato. Folhas altas e arqueadas, plumas macias no topo, vendida em vasos generosos com rótulos alegres. Ervas ornamentais como a erva-das-pampas e certas gramíneas ornamentais densas em tufo (como a “fountain grass”) estão por todo o lado, promovidas como de baixa manutenção, tolerantes à seca e “amigas da vida selvagem”. À primeira vista, soa encantador.

O que a etiqueta não esclarece é: que vida selvagem.

Essas folhas espessas e em cascata criam exatamente aquilo de que as cobras mais gostam: sombra fresca, esconderijos apertados e corredores de passagem seguros onde os predadores não as veem. Do ponto de vista de um réptil, um grande tufo de erva ornamental é um hotel de cinco estrelas com serviço de quarto.

Pergunte às empresas de controlo de pragas o que encontram quando os proprietários ligam por causa de “cobras misteriosas” no verão. Vez após vez, acabam nos mesmos sítios: atrás de arrecadações, debaixo de lenha empilhada e bem no meio das “saias” das ervas ornamentais altas. Um técnico da Flórida contou-me que retirou três cobras-rato de um único tufo de erva-das-pampas junto ao baloiço das crianças. Aquela erva tinha sido plantada para dar privacidade.

Outro caso envolveu uma família no Texas que não percebia porque via cobras todos os fins de semana, apesar de ter um relvado impecável. As fotografias que enviaram para um serviço local de extensão agrícola mostravam o culpado ao fundo: um anel denso de erva-das-pampas madura à volta da piscina, com uma camada espessa de material seco na base. A resposta do especialista foi direta: “Construiu-lhes uma estrada circular.”

As aparições de cobras diminuíram drasticamente depois de essas plantas terem sido removidas. A família não mudou mais nada. Mesmo clima, mesma zona, a mesma vedação de sempre. Paisagismo diferente, visitantes diferentes.

Há um motivo simples para isto acontecer tantas vezes. As cobras não são atraídas pelas plantas porque “gostam do verde”. São atraídas pelo que essas plantas proporcionam: cobertura, solo mais fresco, humidade estável e bons pontos de emboscada para as presas. Ervas ornamentais altas, sobretudo variedades como a erva-das-pampas, o capim-das-chinesas (maiden grass) e certas “fountain grasses” densas, retêm camadas de folhas mortas na base. Essa “saia” mantém-se húmida e escura, mesmo quando o resto do quintal está a torrar ao sol.

Ratinhos, ratazanas-do-campo e insetos adoram esse microclima. As cobras seguem o alimento. Assim, um tufo bem colocado perto do pátio pode tornar-se discretamente numa estação de alimentação e num abrigo de verão. É por isso que os especialistas insistem que esta é uma categoria de plantas em que deve pensar duas vezes se vive em zonas propensas a cobras. A planta não é “má”. O habitat que cria é que é o verdadeiro problema.

Como manter um quintal bonito sem criar um esconderijo para cobras

Se já tem ervas ornamentais grandes plantadas, não precisa de entrar em pânico amanhã de manhã. Comece por ver onde estão. Estão encostadas à casa, junto à porta das traseiras, perto das zonas de brincar das crianças ou ao longo de passagens estreitas? Esses são os pontos de maior risco, porque colocam cobras escondidas muito perto do tráfego humano diário.

Os especialistas recomendam remover esses tufos por completo ou mudá-los para longe das áreas de estar, vedações e percursos de animais de estimação. Ao desenterrá-los, use luvas grossas, calças compridas e botas, e comece a cortar de fora para dentro para que o que estiver escondido tenha hipótese de se afastar. Se esta frase lhe deu arrepios, não está sozinho. Muitos proprietários chamam um jardineiro/paisagista ou um profissional de controlo de pragas especificamente para este trabalho.

Ao planear novos canteiros, pense por camadas. Plantas baixas e abertas junto a caminhos e pátios, com arbustos mais altos recuados e espaçados, de forma a conseguir ver sempre o chão entre eles. As cobras evitam zonas expostas onde se sentem observadas. Isso significa ervas aromáticas baixas e rasteiras, vivazes floridas com caules mais “arejados” e cobertura morta (mulch) mantida suficientemente fina para se ver aqui e ali o solo.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que olha para o quintal e percebe que ficou um pouco “selvagem” enquanto a vida acontecia. Relva alta junto à vedação, pilhas de lenha escondidas nos cantos, sacos de terra que nunca foram abertos. Estas pequenas coisas somam-se e criam autoestradas perfeitas para cobras. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas uma limpeza focada no início do verão pode mudar por completo a forma como o seu quintal “se sente” durante meses.

A ecóloga de cobras, Dra. Andrea Smith, resume assim: “Não precisa de temer todas as cobras. Só precisa de deixar de transformar os espaços que mais usa em locais onde elas se sentem mais seguras. Ervas ornamentais densas mesmo encostadas a um pátio soalheiro fazem exatamente isso.”

Para manter a estrutura visualmente clara, os especialistas sugerem muitas vezes esta lista mental rápida antes de plantar algo grande e denso perto de casa:

  • Consigo ver o chão na base a partir de alguns passos de distância?
  • Esta planta vai reter uma camada espessa de material seco ou folhas à medida que amadurece?
  • Crianças, animais de estimação ou pés descalços vão passar mesmo ao lado?
  • Eu conseguiria ver facilmente uma cobra se ela se enfiasse por baixo?
  • Existe outra planta mais aberta que dê um aspeto semelhante?

Se as respostas o fazem hesitar, essa planta provavelmente pertence ao fundo do quintal - ou então nem devia ir no carrinho.

Repensar a beleza “selvagem” num quintal onde as pessoas realmente vivem

Há uma tensão na jardinagem moderna de que quase ninguém fala. De um lado, as fotografias prontas para o Pinterest de quintais “selvagens”, estilo prado, cheios de plumas altas e movimento suave. Do outro, a realidade de crianças a correr atrás de bolas, cães a farejar cada canto, amigos a andar descalços ao entardecer. Esses dois mundos colidem muitas vezes em torno de plantas como a erva-das-pampas.

Não tem de escolher entre relvados estéreis e um hotel para cobras. Pode criar um jardim que pareça natural e vivo sem oferecer bunkers profundos e frescos exatamente onde se senta, brinca e faz grelhados. Isso pode significar trocar ervas ornamentais gigantes por tufos mais soltos e transparentes, arbustos floridos podados para manter a base aberta e plantas nativas escolhidas tanto pela beleza como pela visibilidade.

A mudança essencial é mental. Em vez de perguntar “Esta planta fica bonita num vaso?”, comece a perguntar “Que tipo de habitat é que esta planta vai criar quando estiver adulta, em julho, após alguns anos a largar folhas?” Só essa pergunta pode mudar o que acaba na bagageira quando sai do centro de jardinagem. E também abre espaço para melhores conversas com os vizinhos - especialmente se vive numa zona onde cobras venenosas são uma preocupação real.

Pode descobrir que outras pessoas na sua rua têm a mesma inquietação sempre que o cão fica imóvel à beira de uma plantação densa. Pode trocar um tufo “amigo de cobras” por um canteiro para polinizadores que as abelhas adoram e que as crianças podem explorar com segurança. Ou pode manter uma zona mais selvagem no fundo do terreno, aceitando que alguma vida selvagem a vai reclamar, enquanto mantém os espaços onde realmente vive mais abertos e visíveis.

Uma única planta não controla a natureza. Ainda assim, a decisão de evitar aquele vaso sedutor de erva ornamental densa junto ao pátio pode significar menos um verão de sibilos surpresa ao crepúsculo - e mais uma estação em que o seu quintal volta a parecer seu.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Evitar ervas ornamentais densas junto a zonas de estar Plantas como a erva-das-pampas e certas “fountain grasses” espessas criam abrigos frescos e escondidos Reduz a probabilidade de cobras se instalarem perto de pátios, portas e zonas de brincadeira
Pensar em termos de habitat, não apenas de aspeto As cobras seguem cobertura e presas, não a planta em si Ajuda a escolher soluções que se mantêm bonitas sem atrair vida selvagem indesejada
Priorizar visibilidade ao nível do solo Bases abertas, arbustos espaçados, menos “saia” seca e detritos Facilita detetar e desencorajar cobras antes de se sentirem “em casa”

FAQ:

  • Pergunta 1 Qual é a principal planta de jardim contra a qual os especialistas alertam se eu não quiser cobras?
  • Pergunta 2 Todas as ervas ornamentais são más, ou apenas alguns tipos?
  • Pergunta 3 Remover a minha erva-das-pampas vai fazer as cobras desaparecerem imediatamente?
  • Pergunta 4 O que posso plantar em alternativa se eu gostar daquele aspeto alto e macio?
  • Pergunta 5 Estas dicas aplicam-se apenas a climas quentes, ou a qualquer lugar onde existam cobras?

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