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Esta regra simples evita que a sua lista de tarefas fique demasiado complicada.

Pessoa escreve numa lista em caderno ao lado de computador portátil e relógio.

O dia em que a minha lista de tarefas me deitou abaixo não foi dramático. Não houve voo perdido, nem chefe furioso, nem grande desastre. Foi uma terça-feira, 9h17, eu a olhar para um cursor a piscar e para uma lista longa o suficiente para eu ter de fazer scroll três vezes no telemóvel. O meu café arrefeceu enquanto eu saltava de “responder a e-mails de clientes” para “comprar papel higiénico” para “aprender sobre alterações de SEO???” sem pegar em nenhuma delas.

Não me senti produtivo. Senti-me perseguido.

A certa altura percebi: o problema não era o trabalho. O problema era a forma como eu o estava a recolher.

E a solução acabou por ser uma regra pequena.

O limite simples que muda tudo

Eis a regra: não mais do que três tarefas reais por dia.

Não três rabiscos. Não três intenções vagas. Três coisas concretas, que se conseguem terminar, e que fazem mesmo avançar a tua vida ou o teu trabalho. Tudo o resto vai para uma lista de “parque de estacionamento” para mais tarde.

É só isto. Um limite. Uma fronteira entre “ocupado e a afundar” e “ocupado mas calmo o suficiente para respirar”.

Parece quase simples demais.

E, no entanto, a primeira vez que tentas escolher apenas três, percebes de repente porque é que a tua lista antiga parecia areia movediça.

Imagina isto.

A tua lista actual tem 27 itens. Alguns demoram cinco minutos. Outros demoram três horas. Metade deles são “pesquisar” ou “ver” ou “talvez começar”. Às 16h, riscaste sete pequeninos, adiastes cinco e amaldiçoaste mentalmente três. O resto fica ali, a acusar-te em silêncio.

Agora imagina outro dia. A mesma vida. A mesma carga de trabalho. Só que escolheste três cabeças de cartaz: “Terminar proposta para o cliente”, “Telefonar ao seguro”, “Rascunhar publicações sociais para quinta-feira”. Esse é o teu núcleo obrigatório.

As outras 24 coisas? Vivem numa lista de captura separada, segura e visível. Mas o teu cérebro não está a mastigá-las a cada segundo. Ele sabe do que é que hoje trata, de facto.

O cérebro humano não adora escolhas intermináveis. Adora fechamento.

Quando a tua lista não tem tecto, a tua mente trata tudo como igualmente urgente. A roupa para lavar grita tão alto como os formulários de impostos. “Marcar dentista” berra com o mesmo tamanho de letra que “falar com o gestor sobre aumento”. A tua atenção parte-se em confettis.

Impor um limite rígido às tarefas diárias cria uma prioridade incorporada. És obrigado a decidir o que realmente importa agora. Essa decisão é desconfortável durante uns 30 segundos. Depois acontece algo mágico.

O teu cérebro relaxa.

Porque, de repente, o dia tem margens.

Como usar a “regra dos 3” sem te enganares a ti próprio

Eis como a regra funciona na prática.

Passo um: despejo mental. Mete tudo numa lista desarrumada, desde “responder à mensagem da Marta” até “pesquisar um portátil novo” e “lavar o cão”. Sem ordem, sem julgamento. Só tira isso da tua cabeça e põe em algo que não se esquece.

Passo dois: circula os três de hoje. Não os três mais fáceis. Não os três que menos te assustam. Os três que, se estiverem feitos, te fariam sentir que o dia valeu a pena.

Passo três: tudo o resto fica marcado como “mais tarde” ou recebe uma data futura específica. Esse “parque de estacionamento” é real, não é um caixote do lixo. Não estás a ignorar. Estás a sequenciar.

A maioria das pessoas tropeça nesta regra no mesmo sítio: em segredo, tratam-na como uma sugestão e depois sobrecarregam-se na mesma.

Escrevem três tarefas “principais”… e acrescentam discretamente sete “pequenas” por baixo, como se o papel não desse por isso. Depois sentem culpa quando as “pequenas” engolem o dia inteiro.

Sê gentil com a tua realidade. Se tens reuniões das 9 às 16, as tuas três tarefas têm de ser pequenas o suficiente para caberem entre elas. Se ficas exausto depois das rotinas de deitar das crianças, a tua tarefa da noite pode ser “dobrar uma máquina de roupa”, não “reorganizar a casa toda”.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, religiosamente.

A vida descarrila. Tudo bem. A regra dos 3 é uma bússola, não uma algema.

Às vezes, a coisa mais corajosa que podes fazer é admitir que hoje não cabe tudo aquilo que gostavas que coubesse.

  • Limite diário: 3 tarefas centrais
    Escolhe três acções concretas, termináveis, que realmente importam para hoje, não para “um dia destes”.

  • Uma lista, duas zonas
    Mantém uma lista, mas divide-a visualmente: “Os 3 de hoje” no topo, “Parque de estacionamento” em baixo. Zonas diferentes, peso mental diferente.

  • Tarefas pequenas mantêm-se pequenas
    Se uma tarefa demora menos de 2 minutos, faz logo ou agrupa-a para um bloco específico, em vez de a deixares entupir a tua lista principal.

  • Estimativas de tempo honestas
    Faz uma estimativa aproximada de quanto tempo cada uma das três tarefas vai demorar. Se já estás acima do tempo disponível, corta uma.

  • Feito é feito
    Quando as três estiverem concluídas, tudo o resto é bónus, não um fracasso por não teres “feito mais”. Deixa o teu cérebro sentir essa vitória limpa.

O que muda quando a tua lista finalmente tem limites

Algo subtil muda quando começas a viver com apenas três tarefas obrigatórias por dia.

As tuas noites sentem-se diferentes. Não ficas a olhar para o telemóvel, a percorrer uma lista a meio e a estremecer mentalmente com todo o trabalho por acabar. Podes dizer: “Fiz o que hoje pedia,” e acreditar mesmo nisso.

A parte engraçada é que muitas vezes acabas por fazer mais. Quando a pressão baixa, a energia volta. Podes despachar mais uns e-mails ou arrumar uma gaveta só porque te sentes mais leve. Mas isso são bónus, não chantagem emocional disfarçada de produtividade.

Há uma satisfação silenciosa em fechar o portátil sabendo que o dia teve uma forma clara.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Regra das 3 tarefas Limitar cada dia a três tarefas centrais e concretas que definem o sucesso Reduz a sobrecarga e dá ao dia limites claros
Lista “parque de estacionamento” Guardar todas as outras tarefas numa lista separada e segura para agendar mais tarde Protege o espaço mental sem perder o rasto às responsabilidades
Planeamento assente na realidade Ajustar as tarefas ao tempo e energia reais, não a horários de fantasia Cria confiança no teu sistema e reduz a culpa diária

FAQ:

  • Pergunta 1
    E se eu tiver mais de três coisas urgentes no mesmo dia?
  • Resposta 1
    Então não tens um problema de lista de tarefas, tens um problema de capacidade. Renegocia prazos, pede ajuda ou elimina o que não é verdadeiramente crítico. Quando tudo é “urgente”, nada é.

  • Pergunta 2
    Posso usar esta regra numa app digital como o Notion ou o Todoist?

  • Resposta 2
    Sim. Cria uma secção “Hoje – Top 3” no topo e um “Backlog” ou “Parque de estacionamento” em baixo. Arrasta tarefas para cima apenas quando passarem a ser uma das tuas três. A separação visual importa.

  • Pergunta 3
    E as tarefas de rotina, como cozinhar ou levar as crianças à escola?

  • Resposta 3
    Essas ficam no teu calendário, não na tua lista de top 3. A tua lista é para o trabalho que faz avançar projectos, resolve problemas ou muda alguma coisa. Rotinas repetidas merecem espaço, mas não drama mental.

  • Pergunta 4
    Como escolho as minhas três quando tudo parece igualmente importante?

  • Resposta 4
    Pergunta: “Se eu só pudesse fazer uma coisa hoje, qual escolheria?” Começa por aí. Depois pergunta quais as duas tarefas restantes que trariam mais alívio ou progresso se estivessem concluídas.

  • Pergunta 5
    E se eu terminar as minhas três tarefas ao meio-dia?

  • Resposta 5
    Celebra por um segundo. Depois puxa um ou dois itens do teu parque de estacionamento e promove-os a “tarefas bónus”. Já ganhaste o dia. Tudo o resto é crédito extra, não uma nova obrigação.

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