Antes de 2026 chegar, fazer uma breve pausa para se questionar pode redefinir as suas prioridades, estabilizar o seu estado de espírito e clarificar o que realmente quer a seguir.
Porque é que fazer perguntas agora muda o seu ano seguinte
Os psicólogos defendem há muito que a forma como olhamos para trás molda a forma como avançamos. A reflexão não é apenas nostalgia. Funciona como um filtro, mantendo o que ajuda e deixando cair o que o arrasta para baixo.
O investigador de psicologia positiva Martin Seligman tem destacado repetidamente uma alavanca em particular: a gratidão. As pessoas que, de forma deliberada, reparam no que correu bem tendem a relatar maior satisfação com a vida, melhores relações e mais resiliência em períodos de stress.
A gratidão tem menos a ver com fingir que tudo correu bem e mais com recusar que os piores momentos definam o seu ano inteiro.
Um estudo de 2018, liderado pelo psicólogo Joel Wong, acompanhou quase 300 pessoas em terapia. Um grupo escreveu cartas semanais de gratidão, outro escreveu sobre as suas emoções e um terceiro grupo não fez qualquer exercício de escrita. Ao fim de alguns meses, os participantes do grupo da gratidão relataram melhor saúde mental do que os restantes, com efeitos que se prolongaram muito para além das sessões de escrita.
Esse tipo de dados sugere algo simples: se terminar 2025 em piloto automático, leva os mesmos padrões para 2026. A mudança começa com melhores perguntas.
Dez perguntas para se fazer antes de 2026
Terapeutas que fazem revisões de fim de ano com clientes recorrem frequentemente a prompts estruturados. Estes empurram-no para lá de sentimentos vagos como “este ano foi horrível” ou “nada mudou” e obrigam-no a ser específico.
Aqui está um conjunto de dez perguntas, inspiradas na prática clínica, que pode ajudar a fazer um balanço de 2025 e a preparar-se mentalmente para 2026:
- O que melhorou na sua vida em comparação com há um ano?
- Quais foram as decisões deste ano por que está mais grato/a por ter tomado?
- O que aprendeu em 2025 que antes não sabia?
- O que lhe trouxe momentos de alegria, calma ou simples contentamento?
- De que formas se sente grato/a pela sua saúde física ou mental neste momento?
- Que livro, filme, série ou podcast mudou genuinamente a sua perspetiva?
- Qual foi a coisa mais gentil que alguém fez por si este ano?
- Que amigo/a, parceiro/a, colega ou familiar se alegra de ter tido ao seu lado?
- Que experiência do dia a dia percebeu que andava a dar por garantida?
- Quem ou o que o/a inspirou a crescer, agir ou pensar de forma diferente?
Escreva as suas respostas. Vê-las no papel torna o seu ano visível, e não apenas uma recordação vaga.
Muitas pessoas passam por listas destas mentalmente e pensam: “Vou lembrar-me disto.” Raramente lembram. Uma sessão de escrita de cinco minutos tem um impacto diferente no cérebro. Abranda o pensamento, afina a memória e cria um pequeno ritual que assinala o fim de um capítulo.
Como transformar estas perguntas num verdadeiro reinício
Defina um tempo e um local claros
A reflexão apressada raramente leva a algum lado. Escolha um dia específico antes de janeiro, ponha um temporizador de 30 minutos e sente-se num sítio onde não será interrompido/a. Telemóvel em silêncio, notificações desligadas.
Não precisa de um caderno sofisticado. Uma folha de papel qualquer, uma app de notas ou um rascunho de email para si próprio/a funcionam igualmente bem.
Responda com honestidade, não para impressionar
Algumas respostas podem parecer humildes ou até um pouco embaraçosas. É muitas vezes aí que a verdade se esconde. Talvez a sua maior melhoria seja simplesmente dormir melhor, ter finalmente saído de um emprego desgastante, ou telefonar aos seus pais com mais regularidade.
As suas respostas não são uma avaliação de desempenho para mais ninguém. São um contrato silencioso consigo próprio/a.
Tentar soar impressionante para um público imaginário estraga o exercício. O objetivo é clareza, não aplauso.
Repare em padrões nas suas respostas
Depois de responder às dez perguntas, releia-as e sublinhe palavras recorrentes: nomes, hábitos, situações, lugares. Esses padrões costumam apontar para o que merece mais espaço em 2026 e para o que precisa de diminuir.
Por exemplo, se várias respostas mencionarem caminhadas ao ar livre, colegas que o/a apoiam ou hobbies criativos, isso dá pistas sobre onde a sua energia e bem-estar crescem naturalmente. Pelo contrário, se o mesmo tipo de conflito ou obrigação aparecer repetidamente, essa é uma área a tratar.
Da reflexão à ação: o que muda antes de 2026?
Perguntas sem continuidade podem ser reconfortantes, mas deixam a vida na mesma. Para evitar isso, traduza as suas reflexões numa lista curta e concreta para o ano seguinte.
| O que reparou | Risco se for ignorado | Pequena ação para 2026 |
|---|---|---|
| Sentiu-se mais saudável quando caminhava diariamente | Regresso do cansaço e do mau humor | Marcar uma caminhada de 20 minutos depois do trabalho, três dias por semana |
| Um/a amigo/a em particular apoiou-o/a de forma consistente | A relação esmorecer lentamente por negligência | Planear um encontro fixo por mês |
| Conflitos no trabalho esgotaram-no/a | Mais stress, possível burnout | Marcar uma reunião com a chefia para definir limites |
| Um projeto criativo fê-lo/a sentir-se vivo/a | Perda de motivação e de sentido de progresso | Bloquear um horário semanal para trabalhar nele |
O objetivo não é desenhar uma vida nova perfeita para 1 de janeiro. É escolher alguns ajustes realistas que se alinhem com o que as suas respostas já revelam.
Porque isto importa quando os anos têm sido difíceis
Algumas pessoas que estão a ler isto terão tido um 2025 doloroso: doença, despedimento, separações, luto ou apenas um desgaste incessante. Olhar para trás pode parecer inútil ou até cruel.
Ainda assim, a investigação clínica sobre trauma e stress mostra que atribuir significado ajuda as pessoas a recuperar. Isso não significa forçar uma leitura positiva de acontecimentos terríveis. Significa procurar agência, pequenos atos de cuidado ou novas forças que surgiram sob pressão.
A pergunta não é “Este ano foi bom ou mau?”, mas “O que, apesar de tudo, posso levar comigo para a frente?”
Se isso lhe parecer demasiado difícil, pode reduzir o exercício. Em vez de todas as dez perguntas, comece com apenas três: o que ajudou, quem ajudou e o que aprendeu sobre os seus limites.
Conceitos-chave por detrás deste check-in de fim de ano
Gratidão como hábito mental, não como estado de espírito
A gratidão, na investigação psicológica, é vista como uma prática repetida. Pode ser treinada como um músculo. Manter uma breve nota semanal de gratidão, ou responder a estas perguntas de fim de ano, reforça a tendência para reparar em acontecimentos e pessoas que apoiam.
Com o tempo, esse hábito muda a forma como interpreta contratempos diários. A reunião má continua a ser má, mas já não apaga o almoço agradável com um/a amigo/a ou a pequena vitória num projeto.
O viés negativo e como as perguntas o reequilibram
Os seres humanos focam-se naturalmente mais em ameaças do que em experiências positivas. Este “viés negativo” ajudou os nossos antepassados a sobreviver. Na vida moderna, muitas vezes deixa-nos com a sensação de que um ano inteiro foi pior do que realmente foi.
Perguntas estruturadas cortam essa distorção. Obrigam-no/a a recuperar detalhes que o seu cérebro ansioso ignorou ou minimizou. Isso não reescreve a história; apenas lhe dá uma versão mais completa.
Cenários práticos para usar estas perguntas
Diferentes situações de vida moldam a forma como usa esta reflexão:
- Se vai mudar de emprego em 2026: foque-se nas decisões por que se sentiu grato/a e no que aprendeu este ano. Isso pode orientar que funções ou ambientes de trabalho realmente lhe assentam.
- Se a sua saúde foi instável: preste atenção ao que sustentou o seu corpo e a sua mente, desde rotinas de sono a tratamentos específicos ou pessoas que foram vendo como estava.
- Se se tornou pai/mãe ou cuidador/a: observe que pequenas rotinas o/a mantiveram com os pés no chão e quem apareceu quando estava exausto/a.
- Se se sente preso/a: a pergunta sobre inspiração pode revelar caminhos que secretamente gostaria de seguir, mesmo que ainda não esteja preparado/a.
Pode também repetir o exercício noutros pontos de viragem: aniversários, datas de entrada num emprego ou após concluir um grande projeto. As perguntas mantêm-se, mas as respostas vão desenhando lentamente a sua trajetória pessoal.
Usadas com regularidade, estas dez perguntas tornam-se mais do que um ritual anual. Formam um simples check-up mental que o/a estabiliza à medida que 2026 se aproxima, ajudando cada nova página do calendário a parecer um pouco menos aleatória e um pouco mais escolhida.
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