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Nunca deite água sobre um incêndio de gordura, pois ela evapora de imediato e espalha o óleo em chamas pelo espaço.

Pessoa levantando tampa de panela em fogão, com caixa de bicarbonato ao fundo na cozinha iluminada.

A frigideira estava ligada “só por um segundo”.
Virou-se para o telemóvel, para os miúdos, ou para a campainha.
Depois, aquele fumo fino e irritado começou a enrolar-se a partir da frigideira, mais escuro a cada segundo, e o cheiro mudou de jantar para perigo.

As chamas sobem pela parte de trás do fogão e o seu corpo faz o que foi programado para fazer: agarrar a coisa mais próxima e atirar água.
A sua mão vai instintivamente para a torneira ou para um copo na bancada.

Este é o momento exacto que, em silêncio, decide se a sua cozinha fica com um grande susto… ou se a sua vida vira do avesso.

Quando o jantar se transforma numa bola de fogo em um segundo

Os primeiros segundos de um incêndio de gordura são estranhamente silenciosos.
Há um estalido, um brilho alaranjado na frigideira, aquela sensação surreal de que isto está a acontecer na cozinha de outra pessoa, não na sua.

Depois chega o barulho.
O exaustor a soprar, o detetor de fumo a gritar, o coração a bater-lhe nos ouvidos.
Sente a urgência de agir depressa e em força.

A maioria das pessoas pega em água porque foi assim que crescemos: a água apaga o fogo.
Lava-loiça. Copo. Atirar.
Um reflexo, um movimento - e, no entanto, esse único gesto é o que transforma um susto no fogão numa tempestade de fogo.

Pergunte a qualquer bombeiro sobre incêndios de gordura e vai vê-los revirar os olhos naquele estilo “se as pessoas soubessem”.
Já viram a mesma cena repetir-se centenas de vezes: noite de massa, frango frito, bacon, um brunch de domingo sonolento.

Uma mulher no Texas despejou uma caneca de água sobre um pequeno incêndio numa frigideira.
As imagens de uma câmara de segurança mostraram mais tarde a chama a explodir numa bola de fogo até ao teto em menos de meio segundo.
O óleo a arder disparou pela divisão, caiu em panos da loiça, armários, até no cão da família.

Estatisticamente, os incêndios na cozinha são a principal causa de incêndios em casa.
E, dentro desses, os incêndios de gordura por descuido ou má gestão são um dos grandes culpados.
A má notícia é que começam facilmente.
A pior notícia é que ficam dramaticamente piores quando entra água na história.

Então o que é que acontece, na prática, naquele instante em que a água toca em óleo a arder?
A física é brutal e rápida.

O óleo de cozinha quente pode estar a cerca de 350–400°F (cerca de 175–205°C), por vezes mais.
Quando despeja água por cima, a água afunda-se por baixo do óleo porque é mais pesada.
Depois toca nessa temperatura extrema e vaporiza instantaneamente em vapor.

Essa mudança rápida de volume é como uma pequena explosão.
O vapor atira violentamente gotículas de óleo a arder para cima e para fora da frigideira, espalhando o fogo para os lados e para cima - muitas vezes a vários metros.
É por isso que os vídeos de água em incêndios de gordura parecem irreais, como efeitos especiais de cinema.
Não são especiais.
São apenas física, com a sua cozinha como cenário.

O que fazer em vez disso quando a frigideira pega fogo

A atitude mais segura num incêndio de gordura é quase aborrecida: retirar oxigénio, não acrescentar caos.
Se o fogo ainda for pequeno e estiver só na frigideira, o primeiro passo é simples: desligue o lume se conseguir chegar ao botão sem se inclinar sobre as chamas.

Depois, cubra o fogo.
Deslize uma tampa metálica ou um tabuleiro de forno por cima da frigideira, de lado, como se estivesse a fechar uma porta.
Isto sufoca as chamas ao cortar o ar.

Deixe a tampa posta.
Não espreite, não levante.
Mesmo quando as chamas desaparecem, o óleo pode continuar quente o suficiente para reacender se voltar a entrar ar.
Aqui, a paciência não é virtude - é sobrevivência.

Se não tiver uma tampa que encaixe, um tabuleiro metálico plano costuma resultar.
Algumas pessoas mantêm uma tampa grande ou um resguardo anti-salpicos pendurado mesmo ao lado do fogão por esta razão.

Um extintor de Classe K é feito para incêndios de gorduras na cozinha, mas muitas casas não têm um.
Um extintor pequeno multiusos (classe ABC) pode ajudar se tiver treino e o fogo ainda estiver contido - mas não é magia e não serve de nada se bloquear ou entrar em pânico.

Todos já passámos por aquele momento em que algo corre mal na cozinha e o cérebro fica em branco.
Por isso, ensaiar mentalmente conta mais do que o equipamento que compra e depois esquece num armário.
Sejamos honestos: ninguém testa o extintor da cozinha todos os dias.

Há um conselho antigo sobre atirar bicarbonato de sódio ou sal para um incêndio de gordura.
Pode funcionar numa chama muito pequena, mas há uma armadilha grande: muitas vezes as pessoas pegam em farinha ou açúcar.
Esses podem inflamar e explodir de forma dramática.

Se alguma vez usar bicarbonato, use bastante, a uma distância segura, e só se o fogo ainda for minúsculo.
Quando as chamas chegam aos armários ou ao exaustor, acabou o tempo dos truques caseiros.
Nessa altura, a única decisão sensata é tirar toda a gente de casa e chamar os serviços de emergência.

Às vezes, a coisa mais corajosa que pode fazer num incêndio na cozinha é afastar-se e ligar 112.
O orgulho reconstrói-se mais depressa do que as casas.

  • FAÇA: desligue o lume se for seguro alcançar os controlos.
  • FAÇA: cubra a frigideira com uma tampa metálica ou um tabuleiro de forno para sufocar o fogo.
  • NÃO FAÇA: use água, gelo, farinha ou açúcar sobre óleo ou gordura a arder.
  • NÃO FAÇA: tente levar uma frigideira em chamas pela divisão ou até ao lava-loiça.
  • FAÇA: evacue e peça ajuda se o fogo se espalhar para além do fogão.

O pequeno hábito que pode salvar a sua cozinha

A verdadeira história dos incêndios de gordura não são as chamas.
É o minuto antes de começarem.

A maioria começa de forma simples: óleo a aquecer numa frigideira, depois uma chamada, uma notificação, uma criança a gritar noutra divisão.
Afasta-se “só por um segundo”.
O óleo continua a aquecer até atingir o ponto de fumo, depois o ponto de inflamação, e de repente tem ignição.

Um hábito discreto de segurança na cozinha é nunca aquecer óleo sem um temporizador.
Mesmo que ache que vai lembrar-se, ponha um.
Pode ser 2 minutos no telemóvel, um temporizador pequeno, o que for.
Esse bip é a linha entre batatas estaladiças e um incêndio que muda a vida.

Outra pequena mudança: deixe uma tampa ou um tabuleiro de forno preparado antes de cozinhar com muito óleo.
Não numa gaveta, não na divisão ao lado.
Na bancada, mesmo ali.

Isto não é viver com medo nem transformar a cozinha num laboratório.
É aceitar que a atenção se desvia, os telemóveis vibram e a vida interrompe.
Uma tampa no sítio certo e um truque na memória muscular valem mais do que uma dúzia de cartazes de segurança que nunca olha.

Pode nunca precisar de nada disto.
Ou, um dia, pode ficar absurdamente grato por ter lido sobre isto numa terça-feira qualquer.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A água “explode” incêndios de gordura A água transforma-se instantaneamente em vapor no óleo quente e atira gotículas a arder pela divisão Ajuda-o a evitar o pior e mais perigoso impulso instintivo
Sufocar, não salpicar Desligar o lume, tapar a frigideira com tampa/ tabuleiro metálico e manter tapado Dá-lhe um plano de ação claro e simples para um pequeno incêndio na cozinha
A preparação vence o pânico Temporizador ao aquecer óleo, tampa pronta, noção básica do que não fazer Reduz a probabilidade de o fogo começar e o risco de bloquear quando acontece

FAQ:

  • Posso usar água num incêndio de gordura muito pequeno? Mesmo uma pequena quantidade de água pode fazer um incêndio de gordura crescer muito. A reação é a mesma; a única diferença é quanto espaço as chamas têm para se espalhar.
  • É seguro levar uma frigideira a arder para o lava-loiça? Não. Transportar uma frigideira em chamas arrisca entornar óleo a arder nas mãos, no chão ou na roupa, espalhando o fogo e causando queimaduras graves.
  • O bicarbonato de sódio funciona sempre em incêndios de gordura? O bicarbonato pode sufocar um fogo muito pequeno, mas é preciso muito, e é inútil quando as chamas já são grandes ou estão a chegar aos armários.
  • Que tipo de extintor devo ter na cozinha? Idealmente um extintor de Classe K para óleos e gorduras de cozinha. Se não for possível, um extintor pequeno ABC é melhor do que nada, mas aprenda antecipadamente a usá-lo.
  • Quando devo parar de tentar combater o fogo sozinho? Se o fogo se espalhar para além da frigideira, alcançar cortinas ou armários, ou criar muito fumo, saia imediatamente, feche portas atrás de si e ligue para os serviços de emergência do exterior.

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