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Poucos sabem, mas precisar frequentemente de reafirmação é muitas vezes um sinal subtil deste mecanismo psicológico.

Mulher usando smartphone à mesa com um espelho, caderno, chá e planta ao lado.

Estás sentada no sofá, telemóvel na mão, a olhar para a última mensagem que enviaste.
«Estava tudo bem?» escreveste. «Não estás chateado(a), pois não?»
Responderam com simpatia. Relaxaste. Durante dez minutos. Depois, o teu cérebro recomeçou. Será que queriam mesmo dizer aquilo? Soaste carente? Há alguma coisa errada e simplesmente não o dizem? Fazes scroll para trás, relês tudo, analisas um ponto final, um emoji, um atraso.

Dizes a ti mesma que és apenas sensível. Ou «ansiosa por natureza».
Mas por trás desta necessidade constante de confirmação, está a funcionar algo mais profundo.
Algo que corre em piloto automático.

O motor escondido por detrás da procura constante de validação

Os psicólogos têm uma palavra para este motor invisível: dependência emocional.
Não a versão romântica e melosa, mas uma espécie de “cablagem” subtil em que a tua sensação de segurança depende das reações externas. Um sorriso, um «não te preocupes», um emoji de polegar para cima, e o teu sistema nervoso relaxa. Silêncio, uma cara neutra, uma resposta curta, e a tua mente entra em espiral.

Por dentro, não parece um «mecanismo».
Parece sobrevivência.
O teu corpo reage antes do teu raciocínio.

Imagina a Léa, 31 anos, a rever o mesmo e-mail três vezes antes de o enviar ao chefe.
Depois passa as duas horas seguintes a verificar se foi lido. Quando a resposta finalmente chega, é neutra, mas breve. O coração dela afunda-se. Pergunta-se imediatamente o que fez de errado. Liga a uma colega: «Achas que ele está chateado comigo?» Depois, ao fim da tarde, ao parceiro: «Sê honesto(a), o meu e-mail estava estranho?»

À meia-noite, três pessoas já a tranquilizaram.
Finalmente consegue dormir.
No dia seguinte, o ciclo repete-se exatamente com outra mensagem.

Este padrão raramente começa na idade adulta.
Muitas vezes é o resultado refinado de anos passados a decifrar o humor de outra pessoa: um progenitor instável, um cuidador distraído, um(a) parceiro(a) que dava amor em doses. O teu cérebro aprendeu que a segurança não vem de dentro, mas dos sinais dos outros. Por isso, confirma. Uma e outra vez.

Isto é dependência emocional: um mecanismo psicológico em que o teu barómetro interno é “terceirizado”.
Deixas de perguntar «O que é que eu sinto?» e passas a perguntar «O que é que eles pensam de mim?»
E quanto mais perguntas, menos confias em ti.

Como quebrar o ciclo sem te culpares

Uma experiência simples pode ser surpreendentemente poderosa: adiar o pedido de validação.
Não durante horas. Começa com cinco minutos. Quando sentires a urgência de perguntar «Isto está bem? Tens a certeza de que não estás chateado(a)?», pára. Respira. Diz em voz alta o que estás a sentir: «Neste momento tenho medo de que estejam chateados comigo.»

Depois faz a ti mesmo(a) uma pergunta silenciosa: «O que é que eu diria a um(a) amigo(a) na minha situação?»
Responde no papel. Curto, tosco, honesto.
Não estás a apagar a necessidade de validação. Estás a aprender a dá-la a ti primeiro.

As pessoas presas neste ciclo muitas vezes julgam-se com dureza: «Sou demasiado carente», «Sou exaustivo(a)», «Mais ninguém é assim».
A verdade é que este mecanismo, em tempos, protegeu-te. Ajudou-te a navegar pessoas que nem sempre eram claras, seguras ou consistentes. O problema começa quando essa ferramenta antiga passa a conduzir toda a tua vida adulta.

Não tens de cortar a tua necessidade dos outros.
Estás apenas autorizado(a) a acrescentar a tua própria voz à mesa.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias com disciplina perfeita, e está tudo bem.

Outro passo que muda tudo é falar abertamente sobre o padrão com uma pessoa de confiança. Um(a) parceiro(a), um(a) amigo(a), um(a) terapeuta. Não no auge da ansiedade, mas num momento mais calmo.
Podes dizer algo como: «Às vezes faço a mesma pergunta várias vezes. Não é que não acredite em ti. É que o meu cérebro aprendeu a duvidar de tudo. Estou a trabalhar nisso.»

Este tipo de frase não informa apenas a outra pessoa.
Dá à tua criança interior a prova de que as tuas necessidades podem ser ditas - não são vergonhosas.

  • Repara no gatilho (silêncio, atraso, tom neutro)
  • Nomeia a emoção antes de reagires
  • Escreve para ti a validação que querias ouvir
  • Adia a mensagem ou a pergunta por alguns minutos
  • Partilha o teu padrão com uma pessoa segura que “perceba”

Viver com um cérebro que pergunta constantemente: «Ainda está tudo bem?»

Quando começas a ver a dependência emocional pelo que ela é, o dia a dia parece diferente. Aquela vontade de reler uma mensagem cinco vezes, de verificar a expressão do(a) teu/tua parceiro(a) durante o jantar, de pescar um «Tens a certeza de que me amas?» de repente ganha contexto. Não és «demais». Estás a correr um guião que, em tempos, fez todo o sentido.

E isso muda a forma como respondes a ti.
De «Eish, que ridículo(a)» para «Certo, é aquele medo antigo outra vez.»

Algumas pessoas só se apercebem deste mecanismo quando trocam de papel. Tornam-se pais, gestores, mentores. Notam o quanto as suas palavras e os seus silêncios afetam os outros. Veem versões mais novas de si mesmas em alguém que pergunta constantemente: «Isto está bem?» e «Estás chateado(a)?»

Esse reconhecimento pode ser um ponto de viragem.
Começas a querer um legado diferente. Menos andar em bicos de pés, mais confiança tranquila.
Não uma vida sem dúvida, mas uma vida em que a dúvida não manda.

Isto é um trabalho lento.
Alguns dias vais apanhar o padrão cedo e sentir orgulho. Noutros, vais enviar cinco mensagens ansiosas seguidas e só perceber depois. O progresso nesta área raramente parece “glamouroso” por fora. Parece uma série de pequenas vitórias privadas: uma mensagem que não enviaste, uma pergunta que não repetiste, uma noite em que o silêncio de alguém não arruinou tudo.

Talvez nunca te tornes a pessoa que «simplesmente não quer saber do que os outros pensam».
Mas podes tornar-te alguém mais gentil.
Alguém que continua a importar-se, mas já não está à mercê de cada sobrancelha levantada.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A procura constante de validação muitas vezes sinaliza dependência emocional A tua sensação de segurança é “terceirizada” para as reações e palavras dos outros Dá um nome e um enquadramento claro a uma experiência diária confusa
Pequenos adiamentos criam espaço para te auto-regular Esperar alguns minutos, nomear emoções e escrever a tua própria validação Oferece uma forma realista e acionável de recuperares estabilidade interna
Falar abertamente reduz a vergonha Explicar o padrão a uma pessoa segura em momentos calmos Ajuda-te a sentires-te menos «demais» e mais compreendido(a) nas relações

FAQ:

  • Precisar de validação é sempre um sinal de dependência emocional?
    Não necessariamente. Toda a gente precisa de conforto e validação às vezes. Torna-se um sinal de dependência emocional quando o teu humor, decisões ou autoestima dependem quase constantemente das reações dos outros, e sentes um sofrimento intenso sem isso.
  • A dependência emocional pode desaparecer por completo?
    A sensibilidade subjacente muitas vezes mantém-se, mas a tua relação com ela pode mudar muito. Com consciência, apoio e, por vezes, terapia, o mecanismo torna-se menos invasivo. Podes continuar a importar-te com o que os outros pensam sem te sentires governado(a) por essa necessidade.
  • Isto é o mesmo que ansiedade ou questões de vinculação?
    São relacionadas, mas não idênticas. A dependência emocional muitas vezes sobrepõe-se à vinculação ansiosa e à ansiedade generalizada. É como um terreno comum onde o medo de abandono, a auto-dúvida e a hipervigilância em relação ao humor dos outros se encontram.
  • Como posso falar sobre isto com o(a) meu/minha parceiro(a) sem soar acusatório(a)?
    Fala a partir da tua experiência interna, não do comportamento dele(a). Por exemplo: «Quando não recebo resposta, o meu cérebro entra em pânico. Eu sei que é o meu padrão, estou a trabalhar nisso, mas adorava a tua ajuda com sinais mais claros.» Assim, o foco fica em ti, e não na culpa.
  • Quando devo considerar terapia para isto?
    Se a tua necessidade de validação estraga regularmente as tuas noites, a tua concentração no trabalho ou as tuas relações, ajuda externa pode ser muito útil. Um(a) terapeuta pode ajudar-te a perceber de onde vem o padrão e a construir ferramentas práticas e personalizadas para te sentires mais seguro(a) por dentro.

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