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Segundo a psicologia, quem cresceu nas décadas de 60 e 70 desenvolveu 9 forças mentais raras que as gerações mais jovens não têm.

Jovem examina um telefone rotativo em mesa de madeira, com bloco de notas, cubo de Rubik, despertador e fotos ao fundo.

Na outra noite, num café cheio, vi um homem na casa dos setenta desdobrar um mapa de papel enquanto dois adolescentes, na mesa ao lado, discutiam por causa de uma app de GPS bloqueada. O homem mais velho traçava o percurso com um dedo, calmo, quase divertido. Os miúdos continuavam a atualizar o ecrã, um pouco perdidos sem o ponto azul. A mesma cidade, a mesma rua, duas formas completamente diferentes de lidar com o inesperado.

Na mesa ao lado, uma mulher na casa dos sessenta estava sentada sozinha, à espera com paciência de uma amiga que, claramente, estava atrasada. Sem telemóvel, sem scroll nervoso, apenas… à espera, olhar a vaguear, ombros relaxados.

Havia uma espécie de força silenciosa naquela postura.

Os psicólogos dizem que isso não é coincidência.

9 forças mentais que os anos 60 e 70 forjaram em silêncio

As pessoas que cresceram nos anos 60 e 70 foram educadas num mundo em que a incerteza não era um bug - era a configuração de origem. Os planos mudavam quando o autocarro não aparecia. Os pais ficavam inalcançáveis durante horas. As notícias viajavam devagar. Aprendia-se a viver nos intervalos.

Isto não moldou apenas as memórias. Moldou a mente.

Em estudos sobre resiliência, adiamento da gratificação e flexibilidade cognitiva, os investigadores continuam a encontrar o mesmo padrão: quem atingiu a idade adulta nessas décadas desenvolveu muitas vezes forças específicas que hoje parecem quase exóticas num mundo hiperconectado. Não são pessoas “melhores”; foram apenas moldadas por um campo de treino diferente.

Pense na frustração emocional, por exemplo. Se queria ouvir a sua canção favorita em 1973, tinha de esperar que a rádio a passasse de novo ou caminhar até uma loja e comprar o disco. Se o disco estivesse esgotado, esperava mais. Nada de streaming, nada de repetição instantânea.

Essa experiência repetida de querer algo e não o obter de imediato é o clássico “adiamento da gratificação”. Os psicólogos sabem que esta capacidade está ligada a melhor autocontrolo, relações mais estáveis e até sucesso profissional. Para a geração dos anos 60/70, não era uma técnica de autoajuda. Era uma terça-feira.

Faziam fila para bilhetes de cinema. Revelavam fotografias e esperavam que as imagens não tivessem ficado estragadas. Juntavam dinheiro durante meses para comprar um gira-discos ou um sistema de som. O desejo tinha uma pista de descolagem longa.

Do ponto de vista psicológico, essas condições treinam o cérebro a tolerar tensão sem “rebentar”. Aprende-se que o desconforto não mata, que o aborrecimento é suportável, que querer não é o mesmo que precisar.

Também se constrói o que os investigadores chamam de “tolerância ao mal-estar”: a capacidade de permanecer presente quando as coisas não são agradáveis. As gerações mais novas, criadas no “um clique e já está”, muitas vezes têm de reaprender isso de forma consciente.

A reviravolta é que quem cresceu nos anos 60 e 70 raramente se gaba disto. Para essas pessoas, esta dureza silenciosa é apenas “a vida normal”. O raro é o mundo à volta ter mudado - não elas.

De telefones de disco a músculos mentais raros

Uma das forças mais marcantes dessa época é a capacidade de desligar a sério. Se saía de casa em 1975, estava fora. Sem notificações, sem “visto às 14:03”, sem pressão para responder instantaneamente. Esse intervalo ensinou um hábito mental específico: fechar a porta mental quando se saía.

Os psicólogos chamam a isto “controlo atencional”. Foca-se no lugar onde se está, e não em 15 conversas invisíveis a zumbir no bolso. Isto não quer dizer que as pessoas de então fossem santos do mindfulness. Simplesmente tinham menos anzóis digitais a puxá-las para longe do momento presente.

Recriar hoje uma pequena fatia disso pode ser muito poderoso. Um gesto simples: decidir uma “hora retro” diária com o telemóvel noutra divisão e uma mentalidade de telefone fixo na cabeça.

Durante essa hora retro, comporte-se como uma versão sua de 1972. Se alguém precisar de si, pode esperar. Se surgir um pensamento, escreva-o no papel, não o vá pesquisar no Google.

Pode sentir uma ansiedade estranha nos primeiros minutos. Depois algo muda. O cérebro percebe, devagar, que nada de catastrófico acontece quando não se está imediatamente contactável. Essa perceção é ouro psicológico.

“Muitos adultos mais velhos não chamam a isto uma técnica; chamam-lhe ‘ir dar uma volta’.” As gerações mais novas geralmente precisam de marcar na agenda e dar nome, porque o estado por defeito é atenção parcial permanente. Isso não é uma falha moral. É o ambiente em que nasceram.

Falemos da parte pouco glamorosa e de verdade simples: o minimalismo digital fica bem no Instagram, mas vivê-lo todos os dias é difícil. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias sem falhar.

A força que a geração dos anos 60 e 70 tem não é perfeição - é familiaridade. Sabem, no corpo, o que é estar inalcançável, esperar, estar offline. Reativar essa memória pode mudar os níveis de stress em uma semana.

Para leitores mais novos, há ainda outra coisa em jogo: aprender com essa era não significa rejeitar tecnologia. Significa emprestar hábitos mentais forjados quando “desligado” era o estado natural - e não uma escolha corajosa de estilo de vida.

O que a psicologia diz que estas gerações guardam em reserva

Os psicólogos descrevem frequentemente nove forças mentais recorrentes em pessoas que cresceram nos anos 60 e 70: tolerância à frustração emocional, paciência, competências sociais face a face, improvisação, avaliação de risco, desenrascanço, consciência política, foco profundo e perspetiva de longo prazo.

Soam abstratas até as ver na rua. Repare como uma pessoa de 70 anos lida com um comboio cancelado: encolhe os ombros, café, conversa com o desconhecido ao lado. Isso são décadas de pequenas crises - e sem apps em tempo real a dizer o que fazer.

Cada uma destas forças nasce de algo muito concreto: ir a pé à biblioteca para encontrar respostas, arranjar objetos estragados em vez de os substituir, discutir política à mesa de jantar sem “remover dos amigos” ninguém.

É aqui que muita gente mais nova tropeça: confunde “à antiga” com “obsoleto”. Esse erro rouba-lhes, silenciosamente, ferramentas poderosas. Não precisa de trocar o smartphone por um telefone de disco para aprender com a mentalidade dessa geração. Pode copiar a estrutura, não o cenário.

Por exemplo: escolha uma coisa por semana para fazer “à maneira lenta”: cozinhar a partir de um livro de receitas, escrever uma carta à mão, aprender uma música ouvindo (em vez de tutoriais no YouTube). Parece inconveniente. Esse é o objetivo.

Essa fricção leve treina o cérebro a manter-se numa tarefa, a resistir ao impulso de fugir para o multitasking ao primeiro sinal de aborrecimento. Com o tempo, isto parece-se muito com o “foco profundo” que os psicólogos insistem que estamos a perder.

Alguns adultos mais velhos descrevem a juventude como “menos segura, mas de algum modo mais robusta”. Andavam mais a pé, brincavam na rua sem supervisão, apanhavam boleia, orientavam-se sem monitorização constante. Isto não significa que todos os riscos fossem bons. Significa que praticavam avaliar situações em vez de delegar isso numa app.

Esse hábito transformou-se numa espécie de sabedoria de rua. Lêem caras, sentem ambientes, confiam nos próprios sinais de alerta. As gerações mais novas têm muitas vezes competências técnicas excelentes, mas sentem-se estranhamente desprotegidas quando o Wi‑Fi vai abaixo.

“A tecnologia mudou as ferramentas”, diz uma psicóloga clínica que trabalha com três gerações das mesmas famílias, “mas não apagou os músculos. As pessoas que cresceram nos anos 60 e 70 simplesmente tiveram de exercitar certas capacidades mentais todos os dias. Essas capacidades ainda estão lá, na maioria subutilizadas, como uma língua estrangeira que antes se falava com fluência.”

  • Tolerância à frustração - construída com espera, filas e opções limitadas.
  • Foco profundo - forjado com leituras longas, menos ruído, menos interrupções.
  • Coragem face a face - aprendida em discussões reais, reconciliações reais.
  • Improvisação - treinada por planos que falhavam e pela falta de soluções instantâneas.
  • Visão de longo prazo - fortalecida por poupar, reparar, comprometer-se.

Uma ponte, não uma batalha, entre gerações

Quando as pessoas dizem “os miúdos de hoje são moles” ou “os boomers não percebem nada”, falham a história real. O que a psicologia continua a sugerir é algo muito mais interessante: cada época esculpe, em silêncio, vantagens mentais específicas. A geração dos anos 60 e 70 recebeu um mundo que exigia paciência, presença e risco físico. As gerações de hoje receberam um mundo que exige processamento rápido de informação e complexidade social à escala.

A verdadeira vitória seria uma troca, não uma guerra. Imagine um jovem de 25 anos a aprender foco profundo com alguém de 70… enquanto lhe ensina a navegar o excesso digital sem entrar em pânico. Imagine famílias em que histórias de cortes de energia, telefones fixos e protestos não são nostalgia, mas uma caixa de ferramentas para lidar com ansiedade climática, instabilidade laboral e pressão das redes sociais.

Muitos dos que cresceram nos anos 60 e 70 subestimam o que transportam. Vêem os seus hábitos como “modos antigos”, não como competências raras. As gerações mais novas sentem-se muitas vezes “avariadas” por terem dificuldade com atenção, impaciência ou ansiedade, sem perceberem que estão a nadar contra uma corrente que antes ninguém precisava de enfrentar.

Algures entre esses dois mundos existe algo muito prático: estratégias partilhadas para sermos menos frágeis num mundo rápido, brilhante e sobre-estimulado. Pode vê-lo numa pequena cena num café, numa paragem de autocarro ou num almoço de família. Uma pessoa mais velha que não entra em stress. Uma pessoa mais nova que repara.

É assim que as forças mentais passam, em silêncio, de uma década para outra: não em discursos, mas em momentos vividos.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Adiamento da gratificação As infâncias nos anos 60/70 exigiam esperar, poupar e tolerar frustração. Ajuda a construir autocontrolo, manter objetivos e resistir a picos instantâneos de dopamina.
Presença profunda Crescer offline treinou atenção, paciência e escuta face a face. Oferece um modelo para reduzir stress e recuperar foco num mundo ruidoso.
Resiliência do dia a dia Pequenas incertezas frequentes nutriram improvisação e robustez emocional. Dá atitudes concretas para lidar com crises modernas sem entrar em pânico.

FAQ:

  • Pergunta 1: Quais são as 9 principais forças mentais associadas a crescer nos anos 60 e 70?
    Os psicólogos referem mais frequentemente: tolerância à frustração, paciência, foco profundo, improvisação, competências sociais na vida real, avaliação de risco, desenrascanço, consciência política e perspetiva de longo prazo.
  • Pergunta 2: As gerações mais novas são psicologicamente “mais fracas”?
    Não. Estão adaptadas a um mundo diferente. Muitas vezes destacam-se na aprendizagem rápida, multitarefa e navegação social online. Estão apenas menos treinadas em algumas forças offline que os mais velhos desenvolveram por necessidade.
  • Pergunta 3: Alguém nascido depois de 1990 pode desenvolver estas mesmas forças?
    Sim, mas normalmente não por acaso. São necessárias práticas deliberadamente “lentas”: ler sem o telemóvel, fazer algumas coisas da forma difícil, aceitar o aborrecimento e ter conversas reais em vez de as evitar.
  • Pergunta 4: Como podem as pessoas dos anos 60/70 usar as suas forças hoje?
    Tratando-as como ativos, não como manias. Podem orientar colegas mais novos, modelar calma em crises e proteger espaços de lentidão em famílias e locais de trabalho onde todos se sentem apressados.
  • Pergunta 5: Qual é um hábito simples para começar amanhã?
    Escolha um “bloco retro” diário de 30 minutos: telemóvel noutra divisão, uma única atividade (ler, caminhar, trabalho manual), sem multitarefa. Parece pequeno, mas ao longo de semanas retreina a atenção de uma forma que as gerações mais velhas reconhecem imediatamente.

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