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Um casal reformado conta como pequenas viagens ao Tirol do Sul trouxeram de volta o romance aos seus anos dourados.

Casal sénior brinda com vinho branco, sentado ao ar livre com mapa e montanhas ao fundo.

Eles precisavam de algo mais pequeno, repetível, quase vulgar: duas noites, uma viagem de comboio para norte, as costelas azul-acinzentadas dos Dolomitas à distância de um braço. Já nos seus setenta anos, descobriram que pequenas escapadinhas ao Tirol do Sul mudavam o marcador da rotina para o entusiasmo - não com grandes gestos, mas com uma varanda, uma vista e um café que sabia a recomeço.

Os sinos começaram primeiro, como um lembrete suave para não apressar. Edith e Tom partilhavam um único brioche no comboio regional que saía de Verona, com as janelas a trocar grafitis da cidade por pomares de maçãs, quintas de pedra e fitas de água. Quando os Dolomitas apareceram, Tom apertou-lhe a mão como se tivessem vinte e nove anos outra vez e estivessem num desafio. Em Bolzano, entraram no zumbido quente de conversas italo-alemãs, pediram dois espressos de que não precisavam e, ainda assim, sorriram. Parámos de representar e começámos a reparar. Duas noites reajustam o marcador.

Porque é que pequenas viagens trouxeram de volta um grande sentimento

Não foi um milagre. Foi quase o contrário: o conforto de um lugar que acolhe a lentidão. O Tirol do Sul está cosido de trilhos e teleféricos, refúgios de montanha e passeios fáceis, por isso um dia pode ser rico sem ser pesado. Edith adorava o facto de a região falar duas línguas em voz alta e uma terceira em gestos - um cumprimento em italiano, um aceno em alemão, um cesto de uvas numa banca do mercado. Todos já tivemos esse momento em que uma paisagem parece uma pessoa boa que nos deixa ir ao nosso ritmo.

Na primeira mini-viagem, apanharam o teleférico do Renon diretamente de Bolzano para um planalto alto, com o ar mais fresco e cheiro a pinheiros, e a cidade, de repente, pequenina lá em baixo. Caminharam pelo trilho fácil até às pirâmides de terra, aquelas esguias colunas de argila com “chapéus” de pedra, e sentaram-se num banco a ver as nuvens. Mais tarde, Tom provou Lagrein, escuro e rico em notas de frutos vermelhos, enquanto Edith escolheu uma fatia de strudel de maçã tão folhada que a fez rir. O Tirol do Sul reclama perto de 300 dias de sol por ano, e aquela tarde pareceu quatro deles de uma só vez.

Algo tranquilo mudou porque as micro-viagens baixam a fasquia. Dois dias convidam a uma intenção suave: uma caminhada, um prato partilhado, um pôr do sol. Não há pressão para “consertar” nada, apenas para estar onde se está. O tempo de viagem é curto, por isso chegam com energia, não com o pescoço rígido. Tom diz que o ritmo é como um batimento cardíaco - ir, descansar, olhar, comer - e os lugares aqui foram feitos para isso. Os refúgios servem sopa às três, os passeios desenrolam-se em declives suaves, e o último teleférico para descer é um prazo divertido, não uma ameaça.

Como o fazem: o manual das 48 horas

Mantêm tudo simples, quase ritual. Sexta-feira de manhã, um saco pequeno com camadas, sapatos de caminhada, fatos de banho. Comboio se o tempo estiver limpo, carro se quiserem desvios. Escolhem uma base - Merano para jardins e spa, Siusi para caminhadas em prados, Naturno para ciclismo fácil no vale - e definem apenas duas âncoras: um passeio de manhã e um mimo ao fim do dia. Os telemóveis ficam em modo avião durante uma hora à volta da luz dourada. É aí que conversam, ou não, e veem as montanhas mudarem de ideias.

Edith diz que o truque é escolher o “maravilhoso fácil” em vez do “épico”. A Promenade Tappeiner em Merano em vez de um cume. Um almoço demorado num jardim em Trauttmansdorff em vez de três museus. Deixam espaço para uma sesta junto à piscina do hotel, daquelas onde o vapor se enrola e ninguém parece com pressa. Sejamos honestos: ninguém faz isso todos os dias. Também evitam a correria de transformar cada refeição num troféu. Um prato de schlutzkrapfen numa cozinha de quinta e um knödel partilhado fazem o trabalho pesado do romance.

Aprenderam o que não fazer: não sobrecarregar o plano, não levar coisas a mais, não começar a discutir os grandes temas no primeiro café. Tom brinca que a “regra das duas noites” os mantém curiosos, e não cansados. Ele diz isso de forma simples, em palavras que ficam.

“No momento em que deixámos de tentar salvar o mês e passámos apenas a salvar o fim de semana, recuperámos o nosso casamento aos bocadinhos”, diz ele. “Bocado a bocado pareceu mais gentil.”

  • Uma promessa: uma caminhada suave, uma refeição lenta, uma hora na varanda.
  • Dinheiro para os refúgios de montanha, porque os cartões falham onde a sopa é melhor.
  • Descanso ao meio-dia como hábito, não como fraqueza.
  • Uma fotografia cada um, e depois bolsos - primeiro os olhos, por último a câmara.

O que estes lugares lhes deram

O Tirol do Sul tem uma facilidade de outros tempos que se cola aos ombros. As termas de Merano, todas em vidro e água quente desenhadas por Matteo Thun, transformaram o sábado deles numa conversa a flutuar. No fim do outono experimentaram o Törggelen numa quinta - castanhas assadas, vinho novo, gargalhadas que vinham do fundo - e voltaram a pé por um caminho entre vinhas, com lanternas. No Alpe di Siusi, o prado era tão amplo que se sentiram mais pequenos da melhor maneira. No regresso a casa, pararam no Lago di Carezza, uma joia sob o Latemar, e não disseram nada. Esse silêncio soube a confiança.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Mantém o plano pequeno Duas âncoras por dia: uma caminhada, um mimo Reduz a fadiga de decisão, deixa espaço para a química
Escolhe terreno suave Passeios, teleféricos, paragens de bem-estar Torna o romance sustentável, não exaustivo
Aposta em rituais locais Törggelen, café da tarde, hora de varanda Momentos integrados para reconectar sem esforço

FAQ:

  • Qual é a melhor base para uma primeira escapadinha curta? Bolzano se queres ligações fáceis, mercados e acesso rápido a teleféricos; Merano se jardins e termas te chamam; Siusi/Seis para caminhadas em prados no Alpe di Siusi com vistas de cortar a respiração.
  • Viajantes mais velhos podem desfrutar do Tirol do Sul sem caminhadas exigentes? Sim. Passeios como a Promenade Tappeiner em Merano, os trilhos do planalto Renon/Ritten e as ciclovias de vale oferecem declives suaves. Muitos elevadores fazem o trabalho de subir para poderes passear cá em cima.
  • Quando devemos ir para um ambiente romântico? Primavera para flores e luz suave; do fim de setembro ao início de novembro para cores de vindima e Törggelen; dias de semana em junho para dias longos sem multidões no pico. O inverno traz mercados de Advento e spas acolhedores.
  • Dicas simples para poupar numa estadia de duas noites? Viaja de comboio regional quando possível, reserva pensões que incluam cartão de transportes, escolhe um jantar especial e um almoço numa quinta, e leva snacks para poderes ficar onde a vista for a certa.
  • Precisamos de falar italiano ou alemão? Não necessariamente. O inglês é bastante compreendido nas vilas e hotéis. Aprende um “olá” em ambas - “buongiorno” e “guten Tag” - e vais ver os rostos ficarem ainda mais calorosos.

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