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Um jardineiro revela que plantar lavanda junto aos caminhos afasta mosquitos e perfuma o ar.

Pessoa a plantar lavanda num jardim, com regador e ferramentas ao lado.

Sprays cheiram de forma agressiva, as velas tremeluzem e apagam-se, e os ecrãs não ajudam quando já está lá fora. Há um truque mais suave, escondido à vista de todos: a própria borda do caminho.

O crepúsculo caiu na noite em que o jardineiro me mostrou o seu segredo, e a gravilha sob os pés ainda guardava o calor do dia. Ele avançou pelo caminho com a tesoura de poda enfiada no bolso de trás, roçando numa franja baixa de alfazema que libertava pequenos suspiros violeta de perfume sempre que uma manga a tocava. Mosquitos pequenos pairavam no ar por cima do relvado e, no entanto, o passeio parecia um corredor perfumado, um lugar que os mosquitos pareciam evitar, como se houvesse um segurança na corda de entrada. Ele pediu-me que parasse e ouvisse, e o jardim zumbia sem aquele zumbido irritante junto aos nossos joelhos. Depois sorriu e disse para eu voltar a percorrer a borda, devagar. Algo tinha mudado.

O caminho que responde

A alfazema ao longo de um passeio funciona porque fica exatamente onde o seu corpo cria uma turbulência suave ao passar. Um roçar do ombro ou o arrasto de um saco solta os óleos que fazem a alfazema cheirar a calma, e esses mesmos compostos aromáticos são aquilo que os mosquitos detestam. O caminho torna-se um difusor vivo, recarregado não por uma tomada, mas pelo seu movimento do dia a dia.

Ele tinha plantado uma fita de ‘Hidcote’ de um lado e uma fila de ‘Munstead’ mais baixa do outro, suficientemente para dentro para que as folhas tocassem nas suas pernas quando usava calções. Na primeira semana, contou seis picadas depois de uma rega tardia; na seguinte, com a alfazema em flor e aparada como uma almofada baixa, teve uma. Um vizinho copiou a ideia ao longo de um passeio de tijolo e depois reparou que os convidados ficavam mais tempo no exterior após o jantar, sem darem palmadas distraídas nos pulsos.

Há biologia simples por detrás do encanto. A alfazema está cheia de linalol e acetato de linalilo, compostos voláteis que evaporam facilmente quando aquecidos pelo sol ou agitados pelo ar de passagem, formando uma nuvem ténue junto ao chão. Os mosquitos são atraídos pelo dióxido de carbono e pela química da pele; a camada de alfazema desfoca esse sinal e sobrepõe-lhe um cheiro que eles evitam. Junte-se a isto o facto de a pedra ou a gravilha acumularem calor à noite e a libertação ser constante, como um sussurro que continua a sussurrar.

Como alinhar o seu caminho com alfazema

Comece por variedades resistentes que tolerem a poda e o caos de um percurso pedonal: Lavandula angustifolia ‘Hidcote’ para um roxo profundo, ‘Munstead’ para uma bordadura compacta, e lavandin ‘Grosso’ se quiser espigas mais altas e marcantes. Plante a 35–45 cm de distância entre plantas (14–18 polegadas) para uma linha contínua e incline ligeiramente cada torrão na direção do caminho. Regue bem na plantação e depois deixe secar o centímetro superior do solo entre regas, escolhendo um local com seis a oito horas de sol.

Coloque as plantas onde serão tocadas. Esse é o objetivo de uma bordadura de caminho. Demasiado recuadas e perde-se a magia; demasiado perto e vai esmagar caules com as botas. Solo arenoso ou pedregoso é seu aliado; se tiver argila pesada, crie uma faixa elevada com brita grossa e composto misturados, ou coloque a alfazema em floreiras compridas a delimitar os pavers. Todos já tivemos aquele momento em que um truque de jardim parece idílico até bater de frente com a vida real e um solo pesado. Sejamos honestos: ninguém faz isso todos os dias.

Mantenha a forma baixa, como uma onda de alfazema a lamber o passeio, dando um corte ligeiro após a primeira vaga de flores. Corte as hastes florais gastas com a mão leve e pare antes de chegar à madeira velha, que não rebenta bem de novo. Resista à tentação de esculpir esferas perfeitas; isto são perfumes, não soldados de topiaria.

“Os caminhos são onde se vive”, disse-me o jardineiro. “Por isso, ponha o aroma onde o vai roçar e os insectos onde preferem não seguir.”

  • Plante onde passa: 15–20 cm (6–8 polegadas) do caminho mantém o aroma perto e o roçar frequente.
  • Pense em sol e drenagem: céu aberto, solo pobre e boa circulação de ar vencem sempre os “pés molhados”.
  • Ritmo de poda: um corte suave pós-floração, depois uma ligeira limpeza no fim do verão - sem cortes fortes no outono.
  • Misture tamanhos: compactas em curvas apertadas, mais altas junto a portões para um “olá” de alfazema.
  • Delimite com inteligência: gravilha, tijolo ou pavers ajudam a refletir calor e a intensificar a libertação do aroma.

O efeito dominó de uma borda perfumada

Uma bordadura de alfazema não trava todos os mosquitos e não substitui redes ou o bom senso relativamente a água parada, mas muda o ambiente do quintal. O ar parece mais limpo, as noites abrandam, e a conversa vai mais longe do que a porta das traseiras. É uma sebe que faz dois trabalhos: um para o nariz, outro para os tornozelos - ambos assegurados por uma planta que pede sol e um pouco de cuidado.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
A alfazema junto ao caminho reduz picadas Óleos voláteis libertam-se ao roçar, mascarando sinais que os mosquitos procuram Menos interrupções no exterior, mais conforto ao anoitecer
A variedade certa e o espaçamento importam ‘Hidcote’/‘Munstead’ a 35–45 cm (14–18 pol) e 15–20 cm (6–8 pol) da borda Uma faixa densa, tocável, que perfuma à passagem
Os cuidados são leves, mas precisos Sol, drenagem, poda suave pós-floração, evitar cortar madeira velha Bordadura duradoura, bonita e eficaz

Perguntas frequentes

  • Que alfazema funciona melhor para afastar mosquitos? A alfazema inglesa (Lavandula angustifolia), como ‘Hidcote’ e ‘Munstead’, é excelente para bordaduras, enquanto o lavandin ‘Grosso’ tem um aroma mais intenso e espigas mais altas se tiver espaço.
  • Isto substitui totalmente o repelente? Não. Atenua o problema ao longo do caminho e reduz as picadas para muitas pessoas, mas continua a precisar de medidas básicas, como eliminar água parada e usar proteção em noites de muitos mosquitos.
  • A que distância devo plantar do passeio? Cerca de 15–20 cm (6–8 polegadas) do caminho, para que joelhos, bainhas e sacos rocem nas plantas. Esse contacto suave é o que renova a nuvem de aroma.
  • E se o meu solo for argila pesada? Crie uma faixa elevada com brita grossa e composto para melhorar a drenagem, ou plante em floreiras compridas a delimitar o caminho; o essencial é evitar raízes encharcadas.
  • A alfazema faz mal a abelhas ou a animais de estimação? As abelhas adoram as flores durante o dia, e isso faz parte do encanto. Para animais de estimação, as plantas de alfazema são geralmente seguras no jardim; desencoraje a mastigação e evite óleos concentrados perto de gatos e cães pequenos.

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